Em 2016, a Jordânia sediou seu primeiro torneio da FIFA quando a Copa do Mundo Feminina FIFA Sub-17™ chegou ao país para sua quinta edição. Foi a segunda vez que o torneio aconteceu na Ásia Ocidental, depois da edição de 2012, quando a França superou a Coreia do Norte nos pênaltis, no Azerbaijão.
A história se repetiria, em mais de um sentido. A Coreia do Norte voltou a chegar a uma final decidida nos pênaltis, depois da primeira decisão sem gols da história do torneio, contra o Japão. Enquanto a Young Nadeshiko chegava ao torneio como atual campeã, foram as campeãs de 2008 que venceram nos pênaltis para se tornar a primeira seleção a vencer o torneio duas vezes. Foi a quarta vez em cinco edições que uma seleção da AFC saiu vencedora, com pelo menos uma equipe do continente disputando toda final até aquele momento.
A dupla dividiu o pódio com a Espanha, liderada pela vencedora da Chuteira de Ouro adidas, Lorena Navarro, cujos oito gols (cinco deles, um recorde compartilhado, marcados numa vitória por 6 a 0 sobre as anfitriãs) a levaram ao mesmo patamar histórico da sul-coreana Yeo Min-ji, de 2010, e da artilheira norte-coreana Ri Un-Sim, de 2012.
Depois de oito anos sem o título, com uma derrota na final para a França pelo meio do caminho, a Coreia do Norte chegou à Ásia Ocidental em busca do topo do pódio do Sub-17.
As coisas não começaram perfeitas para o time de Jong Bok-Sin, técnica da equipe: um golaço de Alessia Russo, marcado já no fim do jogo, garantiu à Inglaterra um empate suado por 3 a 3 no dia de abertura. As ex-campeãs se recuperaram e venceram o Brasil por 1 a 0 na partida seguinte, antes de garantir a liderança do Grupo C com uma vitória tranquila por 3 a 0 sobre a Nigéria.
Elas encontrariam, porém, uma adversária africana bem mais dura nas quartas de final, contra Gana. Kim Pom-Ui abriu o placar de pênalti, um gol de cabeça de Gifty Acheampong, já no fim, igualou o placar, até que Ja Un-Yong marcou o gol da vitória nos acréscimos. As gigantes da AFC estavam em plena forma e venceram a Venezuela por 3 a 0 na semifinal, com Kim marcando o melhor gol da partida.
Apesar de a decisão contra o Japão ter sido a primeira final sem gols da história dos torneios de base femininos, não faltaram chances. Hinata Miyazawa, futura vencedora da Chuteira de Ouro adidas da Copa do Mundo Feminina FIFA, acertou a trave no primeiro tempo, antes de as duas seleções terem finalizações tiradas em cima da linha, o que levou o jogo para os pênaltis. Rio Kanekatsu chutou por cima, e coube a Ri Kum-Hyang a chance de bater rasteiro e encerrar a espera de oito anos por um título.
A venezuelana Deyna Castellanos já tinha seu nome escrito na história da Copa do Mundo Feminina FIFA Sub-17 desde o torneio de 2014. Com apenas 14 anos, ela dividiu a Chuteira de Ouro com a compatriota Gabriela Garcia, a primeira vez que duas jogadoras terminaram empatadas num torneio feminino, depois de as duas marcarem seis gols e darem três assistências cada.
Ela voltou às finais dois anos depois e novamente levou a La Vinotinto até a semifinal, com cinco gols, o suficiente para lhe garantir a Chuteira de Bronze adidas, enquanto sua atuação completa em campo também lhe rendeu a Bola de Bronze adidas.
A artilheira sul-americana, sem surpresa, detém o recorde de gols marcados no torneio, com 11, a única jogadora a chegar aos dois dígitos, e ninguém jogou mais partidas do que ela nas finais, com 12 jogos.
Diversas jogadoras que disputaram o torneio seguiram deixando sua marca no futebol adulto. A alemã Giulia Gwinn marcou três vezes na Jordânia e depois conquistou o Prêmio FIFA de Melhor Jovem Jogadora na França 2019, enquanto a já citada Miyazawa faturou a Chuteira de Ouro na Austrália e Nova Zelândia 2023, com cinco gols.
Ona Batlle, Cata Coll, Oihane Hernandez e Eva Navarro, que marcou na vitória sobre a Venezuela na disputa pelo terceiro lugar, foram destaques da Espanha no torneio e, sete anos depois, conquistaram o maior prêmio do esporte. Naquela final em Sydney, perdida por 1 a 0 pela Inglaterra, as Lionesses contavam com as ex-jogadoras do torneio de 2016 Niamh Charles, Ellie Roebuck, Russo, Georgia Stanway, Ella Toone e Lotte Wubben-Moy.
Além delas, as canadenses Jordyn Huitema, Jayde Riviere, Deanne Rose e Julia Grosso também disputaram o torneio e conquistaram o ouro em Tóquio 2020, enquanto Naomi Girma e Sophia Smith fizeram o mesmo pelos Estados Unidos em Paris 2024.
Publicado originalmente pela FIFA em 24/09/2026: Jordânia 2016: Coreia do Norte recupera o título →