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Kanyemba: “Queremos mostrar ao mundo que a Zâmbia pode competir”

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Kanyemba: “Queremos mostrar ao mundo que a Zâmbia pode competir”
Foto: FIFA/Reprodução

Carol Kanyemba é uma pioneira. No início deste ano, ela se tornou a primeira pessoa no comando da Zâmbia a levar o país a três Copas do Mundo da FIFA seguidas, em qualquer categoria, ao garantir a vaga no Mundial Sub-17 no Marrocos.

Kanyemba não só levou as Copper Princesses aos Mundiais, como sua equipe também evoluiu de forma concreta neles. A seleção deixou a edição de 2024 sem nenhum ponto e com apenas um gol marcado, mas na edição de 2025, também disputada no Marrocos, conquistou uma vitória impressionante por 4 a 0 sobre a Nova Zelândia, que a levou ao mata-mata pela primeira vez.

Agora, depois de ela própria entrar para a história, Kanyemba quer que sua equipe faça o mesmo e se torne a primeira seleção feminina do país a vencer uma partida na segunda fase.

Ela conversou com a FIFA sobre essa meta, sobre a passagem do cargo de auxiliar para o de técnica principal, sobre as adversárias do Grupo D e mais.

FIFA: Você foi nomeada auxiliar técnica da Zâmbia em 2017, antes de assumir o comando em 2024. Quão difícil foi esse passo?

Carol Kanyemba: Ser nomeada técnica principal foi um desafio que eu valorizei. Eu sabia que vinha com muitas responsabilidades. Eu estava acostumada a receber instruções sobre o que fazer, como montar o programa, como definir metas para a equipe. Mas quando me deram o cargo de técnica principal, eu sabia que todos olhavam para mim, e assumir uma equipe que vinha lutando para voltar à Copa do Mundo desde 2014 era um desafio enorme. Como eu estava substituindo um homem, todos esperavam para ver o que uma mulher era capaz de fazer, e isso era muita pressão. Mas a experiência que ganhei como auxiliar técnica realmente me deu confiança para dizer que eu também podia tentar apresentar minhas ideias e trazer algo diferente para nós.

Você se tornou a primeira pessoa no comando da Zâmbia a levar o país a três Copas do Mundo seguidas. Quanto orgulho isso te dá?

Sinto-me honrada, acho que é uma bênção. [Mas] na verdade não se trata de mim, se trata da equipe, porque eu não consigo fazer isso sozinha. E as principais protagonistas deste jogo são as jogadoras. Você pode ser a melhor técnica, com a melhor formação, mas se as jogadoras não acreditam em si mesmas e não sabem o que querem, isso não é nada. Elas fizeram de nós, fizeram de mim, a única técnica que chegou a este lugar três vezes seguidas. Então elas são as principais protagonistas deste jogo; são o que eu tenho de mais importante.

O torneio Sub-17 passou a ser disputado todo ano. Como isso mudou as coisas para você?

Eu realmente valorizo a ideia da FIFA de tornar este torneio um evento anual. Porque isso dá a muitas jogadoras a oportunidade de sentir o nível mais alto do futebol, e há jogadoras que eram as mais novas em 2024 e quase não tiveram minutos em campo. Elas podem ter entrado na lista para a Copa do Mundo, mas não eram titulares. Mas estar no próprio torneio as expôs ao futebol de alto nível, jogando e assistindo, e isso aumentou a confiança delas.

O que você acha de enfrentar um grupo com Japão, Venezuela e França?

São seleções muito boas. Temos respeito por todas as seleções que estão neste torneio, porque cada uma conquistou o seu lugar. Da mesma forma, nós conquistamos o nosso. Respeitamos tudo o que cada uma das outras seleções conquistou, mas também estamos aqui para competir e mostrar ao mundo que a Zâmbia pode competir no mais alto nível do futebol. Nós evoluímos de 2024 para o ano passado.

Quais são os seus objetivos para o torneio?

Nossa ambição é subir ao pódio. Mas, se conseguirmos ter um desempenho melhor do que no ano passado, acho que isso também seria uma conquista para mim como técnica, porque mostra que cada grupo diferente que trazemos consegue render mais do que o anterior.

Qual é a importância, para o futebol africano, de o Marrocos sediar um torneio como este?

Isso nos dá confiança, como África, para dizer que nós também temos algo a oferecer ao mundo. Aumenta o número de equipes que se classificam para o torneio, o que nos dá oportunidade igual de disputar este troféu e mostrar ao mundo do que somos capazes. É realmente uma coisa boa que seja na África. Mas não podemos relaxar, devemos continuar trabalhando, não podemos nos acomodar, para que um dia uma seleção africana possa levantar o troféu da Copa do Mundo. É muito possível, se acreditarmos em nós mesmas.

Publicado originalmente pela FIFA em 13/10/2026: Kanyemba: “Queremos mostrar ao mundo que a Zâmbia pode competir” →

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