
A técnica inglesa Laura Kaminski conquistou a liga e a copa da Noruega com o SK Brann, de Bergen, na temporada de estreia no clube, contou ela à BBC Sport em entrevista publicada nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026. Aos 38 anos, ela assumiu o time em janeiro e, dez meses depois, comemora a dobradinha.
O ano ainda não acabou para o Brann. Segundo a BBC Sport, o time disputa na quarta-feira seguinte à publicação da entrevista uma vaga nas quartas de final da Europa Cup, a competição europeia de clubes.
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O Brann garantiu o título da Toppserien, a primeira divisão norueguesa do futebol feminino, antes da última rodada. Kaminski disse à BBC Sport que esperava uma disputa até o fim e que foi um alívio poder relaxar no jogo final. A torcida esperou o elenco voltar de Oslo para a festa, e a técnica contou que hoje mal consegue ir ao supermercado, porque muita gente a para na rua para dar os parabéns.
Ela descreveu o ano como agitado. Deixou Londres e a família para trabalhar na Noruega e contou ter feito 65 voos em 11 meses. O calendário incluiu jogos fora de casa no Círculo Polar Ártico, com frio intenso e neve horizontal. Kaminski admitiu que ficar longe de quem ama é difícil e exige sacrifícios, mas disse que os troféus fazem o esforço valer a pena.
Antes do Brann, Kaminski comandou o Crystal Palace, que levou ao título da WSL 2 e ao acesso à Women's Super League em 2024. Ela foi demitida em fevereiro de 2025, depois de uma temporada difícil na elite, em que o Palace não conseguiu competir com clubes de mais dinheiro.
Na Noruega, a pressão é a oposta. Segundo a técnica, o Brann espera ganhar a Toppserien porque acredita ser o clube que mais investiu, e isso foi um desafio novo. No Palace, disse ela, nem sempre havia a expectativa de somar três pontos contra os times grandes, numa liga dominada pelas favoritas.
O estilo norueguês também a obrigou a rever ideias. Kaminski contou que os times do país jogam no ataque, sem medo e com pressão constante, a ponto de quase sempre sofrerem gol. Quando chegou e viu as estratégias em campo, ficou um pouco assustada, mas disse que enfrentar essa pressão é muito difícil e que a experiência lhe deu muito material para o futuro. Ela elogiou ainda a forma física e a velocidade das jogadoras locais, e disse não se surpreender com o interesse de clubes grandes por elas.
Antes do Palace, Kaminski passou mais de 15 anos como auxiliar em clubes da WSL 2 e da WSL e trabalhou na seleção sub-19 da Inglaterra. Ela explicou à BBC Sport que só duas divisões inglesas são profissionais e que queria experiência europeia, algo que não teria no país. Na época, conversou com alguns clubes, mas as propostas repetiam o que já tinha feito ou o projeto não combinava. No Brann, sabia que treinaria jogadoras de alto nível, brigaria no topo e teria chance real de ganhar um troféu.
Ela diz ter hoje um conjunto de habilidades completo para dirigir no mais alto nível, mas afirma que o foco agora é o Brann.
Kaminski pede que outras técnicas inglesas busquem experiência fora do país, porque, para ela, as oportunidades na WSL são poucas. Um estudo da UK Coaching divulgado em outubro apontou queda de 6% no número total de mulheres treinadoras nos últimos anos, segundo a BBC Sport.
Hoje há três técnicas inglesas na WSL: Jo Potter, no Crystal Palace, Amy Merricks, no Birmingham City, e Karen Hills, no Charlton Athletic. As três chegaram à elite com clubes promovidos no verão europeu. Kaminski disse estar preocupada com o próximo passo delas e espera que o futebol masculino inglês abra mais portas. Ela contou que deixou o país para conseguir o nível de trabalho que acreditava merecer, que há mais de uma mulher capaz de dirigir times masculinos e que estaria aberta a isso.
"Acho que as bases estão aí para as mulheres darem o salto, mas o mundo do futebol está pronto? Não tenho certeza", disse Kaminski.
A dobradinha na Noruega coloca Laura Kaminski entre as técnicas inglesas com título fora do país e reforça o argumento dela: no futebol feminino inglês, a técnica que quer dirigir no topo ainda encontra poucas vagas e, muitas vezes, precisa sair para crescer.
A Toppserien, liga norueguesa, e a copa da Noruega, na primeira temporada dela no clube.
No Crystal Palace, que levou ao acesso à Women's Super League em 2024, e antes disso como auxiliar em clubes ingleses e na seleção sub-19 da Inglaterra.
Três, segundo a BBC Sport: Jo Potter, no Crystal Palace, Amy Merricks, no Birmingham City, e Karen Hills, no Charlton Athletic.