Redação GINGA36

Adidas, Hyundai e Visa miram Copa do Mundo Feminina 2027

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Falta um ano para a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027.
Foto: Divulgação/FIFA

Adidas, Hyundai e Visa miram a Copa do Mundo Feminina 2027 como uma chance de acelerar a transformação do futebol feminino no Brasil, e não apenas como mais um evento esportivo, como informou o UOL Economia em 11 de agosto de 2026. Executivos das três marcas debateram o tema em São Paulo, no dia 10, no painel que abriu o Summit FIFA.

Quem participou do debate?

Estiveram no painel Carla Mita Shymura, CMO (a principal executiva de marketing) da Visa Brasil, Ebru Semizer, diretora de marketing da Hyundai Brasil, e André Svartman, CMO da Adidas Brasil. O encontro fez parte do SP2B, festival de inovação, cultura e empreendedorismo realizado no Parque do Ibirapuera.

A conversa partiu das estratégias usadas pelas empresas na Copa do Mundo masculina de 2026. O Mundial feminino será disputado entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, em oito cidades-sede, e será o primeiro na América do Sul. A expectativa apresentada no painel é de um torneio que movimente consumo, turismo, empreendedorismo e cultura para além dos estádios.

O que as marcas aprenderam com a Copa de 2026?

O principal aprendizado foi que a presença como patrocinadora não basta: o evento precisa entrar na vida das pessoas. Ebru Semizer falou em conectar a marca à emoção de cada seleção e de cada torcedor.

Na Adidas, a oportunidade está na aproximação entre esporte, moda e cultura. Svartman contou que a empresa deixou de olhar seus produtos apenas pelo desempenho esportivo e passou a trabalhar também a maneira como eles circulam no cotidiano. Nessa lógica, a tecnologia desenvolvida para a atleta pode virar atributo de desejo para o consumidor, e quem joga funciona como ponte entre a performance e a cultura, sobretudo ao usar produtos esportivos fora da competição.

Como a Adidas pretende tratar o Mundial?

A empresa disse que não vai trabalhar a Copa de 2027 como uma propriedade isolada, e sim como parte de uma conversa maior sobre cultura, identidade e comportamento. Svartman também destacou as relações de longo prazo: a Adidas mantém parceria com a FIFA desde a década de 1970 e está ligada à Copa do Mundo Feminina desde os anos 1990. Para ele, essa longevidade dá aos produtos e às ativações uma história própria.

O sucesso em 2027, segundo o executivo, não será medido só pela visibilidade ou pelas vendas. A contribuição para ampliar a relevância do futebol feminino entrou entre os indicadores da marca.

Por que a Hyundai fala em responsabilidade?

A montadora patrocina o futebol feminino desde 1999. Ebru Semizer defendeu o fortalecimento das bases e afirmou que a empresa não pode surgir apenas na época dos torneios, citando também o patrocínio à Copa do Brasil e ao Campeonato Brasileiro.

“Se a gente passar anos patrocinando e não vê nenhuma mudança na modalidade, nenhum progresso, isso também é uma responsabilidade de quem patrocina”, disse a executiva.

O que a Visa enxerga na Copa?

Para a Visa, o aprendizado da Copa masculina foi transformar o patrocínio em uma plataforma de negócios para toda a cadeia. Carla Mita apresentou a Visa como uma companhia de tecnologia, e não só como um meio de pagamento. Em uma Copa, isso significa preparar a infraestrutura para momentos de concentração extrema de consumo: restaurantes, hotéis, lojas e transporte precisam receber um volume muito maior de clientes, enquanto bancos, fintechs e adquirentes garantem a segurança das transações.

A executiva também afirmou que o Mundial pode movimentar muito mais do que a venda de ingressos e de produtos oficiais, com efeito no turismo, no empreendedorismo e no consumo.

Quanto o torneio pode movimentar?

Segundo o UOL Economia, um estudo da FGV Projetos estima a movimentação de quase R$ 9 bilhões no país durante o evento, com 2 milhões de turistas, brasileiros e estrangeiros.

As marcas convergiram na percepção de que a Copa de 2027 chega em um momento diferente daquele de outras edições, com o futebol feminino tendo ganhado audiência, patrocínios, espaço na mídia e presença na cultura popular. O Brasil receberá a competição pela primeira vez, e as empresas veem no evento uma forma de mudar a percepção sobre o futebol praticado por mulheres e de criar referências para meninas que acompanham as jogadoras.

O que muda

Para a torcedora e para as jogadoras, o debate deixou duas patrocinadoras, Adidas e Hyundai, dizendo em público que o patrocínio também se mede pelo que muda na modalidade. Para as empresas, o caminho é aproveitar estruturas, aprendizados e tecnologias já testados e construir uma narrativa específica para o futebol feminino, que tem características próprias e outras protagonistas.

Para entender

Quando será a Copa do Mundo Feminina 2027?

Entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, no Brasil.

Quanto o torneio pode movimentar no país?

Quase R$ 9 bilhões, de acordo com o estudo da FGV Projetos citado pelo UOL Economia.

Desde quando a Hyundai patrocina o futebol feminino?

Desde 1999.

Redação GINGA36