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Mateo: França está pronta para começar com tudo

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França comemora, na Liga das Nações, em 2025.
Foto: Divulgação/FIFA

— As eliminatórias da UEFA para a Copa do Mundo Feminina começam na terça-feira — a França está no Grupo A2 ao lado da República da Irlanda, Polônia e Países Baixos — Clara Mateo projeta as eliminatórias e reflete sobre jogar no maior palco do futebol

Depois de marcar duas vezes na UEFA Women's Nations League no último encontro da seleção francesa, Clara Mateo deve liderar o ataque das Bleues quando a França abrir a campanha de eliminatórias para a Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027™ na terça-feira.

A atacante de 28 anos vive a melhor fase da carreira, diferente de tudo que já viveu antes.

Depois de uma temporada 2024/25 excepcional, na qual recebeu grandes honras individuais, incluindo ser eleita jogadora da temporada e artilheira da primeira divisão francesa, com 18 gols, a capitã do Paris FC se firmou como uma das figuras mais proeminentes do futebol feminino em seu país.

Mateo permaneceu fiel ao clube, ao optar por estender o contrato até 2029, e provou que consistência e evolução constante são ingredientes essenciais para o sucesso no mais alto nível.

Sua trajetória notável vai muito além de números e estatísticas, e é tão cativante quanto inspiradora.

Natural de Nantes e formada em engenharia, ela construiu um caminho único ao equilibrar os estudos exigentes com a carreira esportiva.

Mateo não é estranha ao futebol de Copa do Mundo, tendo mostrado seu talento nas edições Sub-20 e principal, em 2016 e 2023, respectivamente.

Agora ela pretende recorrer a essa experiência para ajudar a guiar as Bleues rumo à glória, com a ambição clara de ajudar a França a finalmente conquistar seu primeiro grande título internacional.

FIFA: Como está a preparação de vocês para o início das eliminatórias da Copa do Mundo Feminina?

Clara Mateo: Estamos determinadas a começar com tudo já em março. Sabemos bem que a pressão constante por resultados faz parte de representar a França. Nosso objetivo é disputar mais uma Copa do Mundo. Embora ainda falte um ano para o torneio, já estou pensando nele. Mas primeiro precisamos focar em garantir nossa vaga, o que vai exigir que superemos adversárias difíceis.

Vocês vão enfrentar República da Irlanda, Polônia e Países Baixos no grupo de eliminatórias. O que você acha desse sorteio?

São adversárias difíceis de enfrentar, com jogadoras excepcionais. Vamos nos preparar bem para essas partidas estudando essas seleções de perto. Acho que o nível de intensidade vai ser alto.

No nível pessoal, você teve uma temporada 2024/25 impressionante. O que mais se destaca para você?

Sim, foi uma temporada fantástica, tanto para mim individualmente quanto para o meu clube, o Paris FC. Recebi várias honras individuais, mas se eu tivesse que escolher um momento de destaque, seria a conquista da Coupe de France Feminine. Demorou muito para acontecer, finalmente conseguimos conquistar um título. Embora eu certamente tenha feito minha parte, o mérito é de todo o time.

Além de jogar futebol, você tem formação em engenharia e trabalha para o principal patrocinador da Première Ligue. Como é uma semana típica na vida de Clara Mateo?

Temos muitos jogos pela frente, então é importante focar no meu jogo. Nesses períodos mais intensos, não assumo muito trabalho fora de campo. Felizmente, minha empresa é compreensiva. É mais um investimento no futuro. Sei que, quando minha carreira como jogadora terminar, vou ter algo para seguir em frente. Quando tenho um pouco mais de tempo livre, posso me dedicar ao trabalho. Gosto de poder desligar a cabeça do campo.

Deve ser um alívio saber o que vem a seguir para você depois que pendurar as chuteiras...

Sem dúvida. Sei que não teria tido a carreira que tenho hoje se não me sentisse segura na minha vida profissional. Eu estava determinada a me formar. Depois tive a sorte de ser contratada por uma empresa que rapidamente reconheceu o que eu podia oferecer. Então completei meu treinamento e aprendi o ofício. Percebi cedo que era essencial me preparar para o que vem depois que os dias como jogadora terminarem.

Você teve muitos momentos altos na carreira, mas deve ter ficado decepcionada por ficar de fora do Torneio Olímpico de Futebol Feminino. Como você reagiu a isso?

Fiquei absolutamente arrasada. Os Jogos Olímpicos são a competição com a qual sonho desde criança. Como se não bastasse, aconteceram na França. Eu realmente queria participar. Infelizmente não foi possível, então fiquei extremamente decepcionada. Tirei um tempo para mim, me questionei. As pessoas próximas a mim me apoiaram. Desliguei por algumas semanas. Quando voltei, consegui fazer uma pré-temporada completa com o Paris FC. Acho que isso me deu a força mental de que eu precisava para seguir em frente e estabelecer novos objetivos. Olhando para trás agora, vejo que foi a decepção que me impulsionou a novos patamares e me permitiu viver uma temporada tão bem-sucedida no ano passado.

Você já disputou duas edições da Copa do Mundo Feminina desde que começou a carreira. Que lembranças você guarda desses torneios?

Disputei duas edições da Copa do Mundo, ambas realizadas do outro lado do mundo: a Copa do Mundo Feminina Sub-20 na Papua-Nova Guiné em 2016 e a Copa do Mundo Feminina na Austrália e Nova Zelândia em 2023. A Copa Sub-20 nos deu uma experiência de vida incrível como jovens, porque pudemos descobrir uma nova cultura. Também ganhamos muita experiência valiosa em torneios porque chegamos até a final [em que a França perdeu de 3 a 1 para a Coreia do Norte]. Já em relação à Copa do Mundo de 2023, participar de um grande torneio já é, por si só, uma experiência inestimável, mesmo que o resultado não tenha sido o que esperávamos [a França foi eliminada pela Austrália nos pênaltis, nas quartas de final]. Tivemos muitos arrependimentos, mas também crescemos no processo. Acredito firmemente que todo revés é uma oportunidade de aprendizado.

Você marcou três gols na Copa do Mundo Feminina Sub-20. Como é balançar as redes no maior palco do mundo?

Foi um turbilhão de emoções. Marquei alguns gols decisivos, incluindo o primeiro gol da semifinal contra o Japão. Muitas das meninas que jogaram comigo naquela Copa Sub-20 estão hoje na seleção principal. Às vezes relembramos aquele torneio. Agora queremos construir em cima daqueles grandes momentos e revivê-los com a seleção principal para conquistar aquele primeiro grande título.

Publicado originalmente pela FIFA em 02/03/2026: Mateo: França está pronta para começar com tudo →

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