A Itália busca abrir uma nova página na Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA Polônia 2026. As Azzurrine ainda não venceram uma partida sequer no torneio global, depois de dificuldades em suas participações anteriores, em 2004 e 2012. A equipe Sub-20 da Itália comandada por Nicola Matteucci garantiu vaga ao chegar às semifinais do Campeonato Europeu Feminino Sub-19 da UEFA do ano passado. Mas a missão não ficou fácil depois que a seleção caiu em um grupo difícil, ao lado de Japão, Nova Zelândia e Estados Unidos. Às vésperas da Polônia 2026, Matteucci conversou com a FIFA sobre os objetivos da Itália para o torneio, o potencial de Giulia Galli, destaque da Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA, e a preparação das jogadoras para a seleção principal.
Nicola Matteucci: Muito, principalmente porque a última participação da Itália foi em 2012. Isso significa que esperamos 14 anos. Também garantimos nossa vaga na Copa do Mundo Sub-20 há mais de um ano, no Campeonato Europeu de 2025, então a expectativa só cresceu desde então. Estamos mesmo ansiosas para entrar em campo e dar tudo de nós.
Nos últimos dois períodos de treinamento, avaliamos quase 30 jogadoras. As decisões foram tomadas, e o grupo está unido e coeso. Também acredito que elas desenvolveram um bom entendimento do que a comissão técnica pede. Elas encontraram o equilíbrio, tanto taticamente quanto como grupo fora de campo.
Não foi uma coisa só, em particular. Acima de tudo, foi o nível de comprometimento e a vontade que cada jogadora mostrou para conquistar o direito de vestir esta camisa. Mas não foi só isso. Fiquei genuinamente impressionado com o senso de propósito compartilhado por elas, a forma como as garotas quiseram se ajudar e estavam dispostas a colocar o time em primeiro lugar, apesar de estarem competindo por uma vaga no elenco. E depois teve a rapidez com que as garotas absorveram e tentaram colocar em prática as instruções técnicas e táticas da comissão.
Ela é, sem dúvida, uma jogadora muito boa, assim como todas as outras jogadoras da Itália. É preciso sempre colocar as coisas em contexto, e isso varia muito de uma categoria de idade para outra. Cada jogadora está em sua própria jornada, e muita coisa pode mudar no espaço de um ano, além da própria categoria de idade da competição. Galli vai jogar ao lado de jogadoras nascidas em 2006, dois anos mais velhas que ela, e, como o restante do elenco, vai ter que mostrar que tem o que é preciso para atuar neste nível. Cada uma delas tem qualidade para causar um grande impacto na Copa do Mundo. Infelizmente, ou felizmente, dependendo das circunstâncias, o futebol tem memória curta, e cada torneio conta a sua própria história.
O sorteio nos colocou contra duas das melhores seleções do mundo. Com as três equipes somando numerosas participações em Copas do Mundo anteriores, elas certamente têm mais experiência do que nós nesse aspecto. Mas isso não significa que vamos entrar no torneio só para completar número. Para enfrentar de igual para igual seleções como essas, vamos ter que elevar nosso nível e encontrar outro patamar. Ainda assim, tenho muito orgulho de fazer parte de uma competição deste calibre. Dito isso, certamente poderíamos ter recebido um sorteio mais favorável.
Nosso primeiro objetivo é chegar às oitavas de final, passando por um grupo muito difícil. Depois podemos ir passo a passo e ver até onde conseguimos chegar. Mas antes de tudo isso, nosso objetivo é ir além do esperado e dar aos torcedores que nos assistem algo para comemorar. Acredito firmemente que todo mundo que trabalha com futebol faz parte do negócio do entretenimento, então, antes de mais nada, tem que mostrar do que é capaz tecnicamente, taticamente e fisicamente.
Garantir que fiz tudo o que podia, ao lado da comissão técnica, para colocar as garotas na melhor posição possível para render o máximo de suas capacidades. Já disse várias vezes durante esses períodos de treinamento que vamos dar às jogadoras um plano de jogo, mas, dentro dele, elas precisam poder se expressar do jeito que acharem melhor. São elas que têm que ser as protagonistas dentro de campo. Um pouco de ousadia certamente pode nos ajudar. Afinal, o futebol é um jogo imprevisível. Também queremos dar tempo de jogo ao maior número possível de jogadoras, como fizemos no Campeonato Europeu do ano passado.
Esse é o nosso foco principal: preparar essas garotas para dar o salto para os níveis mais altos da seleção italiana, ao mesmo tempo em que aproveitam esta experiência que está por vir, que tenho certeza vai ser incrível. Acho que vestir a camisa da seleção principal é o sonho de toda jogadora, e muitas das garotas nesta Copa do Mundo Sub-20 têm o que é preciso para dar esse salto. Mas a chave é ir passo a passo, sem se antecipar, e focar no presente. Só assim o futuro pode reservar algo realmente especial para elas.
Publicado originalmente pela FIFA em 26/08/2026: Matteucci: estamos prontas para dar tudo de nós →