
Megan Rapinoe, bicampeã da Copa do Mundo Feminina e ex-capitã da seleção dos Estados Unidos, contou que uma ferramenta de inteligência artificial a classificou como um risco para uma marca e a tirou de uma grande campanha publicitária ligada à Copa do Mundo, informou em 20 de julho de 2026 o Just Women's Sports.
O relato está num artigo de opinião que a jogadora escreveu para a revista Marie Claire. O motivo do alerta, segundo ela, foi o apoio público aos direitos das pessoas trans.
De acordo com o texto de Rapinoe, o software de triagem usado pela marca identificou a defesa que ela faz da inclusão de mulheres trans no futebol feminino e marcou esse posicionamento como risco corporativo.
A consequência veio rápido. Rapinoe foi retirada do comercial poucos dias antes do início das gravações, e a empresa encerrou a parceria sem dar explicação. A marca não foi identificada no material repercutido.
Para a ex-capitã, o caso não é isolado. Ela atribui o recuo das empresas ao ambiente político criado em torno das atletas trans.
"Políticos contrários à inclusão deixaram a conversa sobre atletas trans no esporte tão turva e tão cheia de alarmismo falso que marcas sem clareza moral estão fugindo da mera associação", escreveu Rapinoe.
Rapinoe ligou o episódio a um padrão mais amplo. Ela citou uma proposta de consulta popular em Washington que pode obrigar meninas a passar por certificação médica, e possivelmente por exames genitais, para disputar esportes na escola.
Na avaliação dela, políticas dirigidas contra mulheres trans no esporte acabam prejudicando todas as mulheres e meninas que praticam atividade esportiva, e não apenas as atletas trans.
Mesmo depois de perder o contrato, Rapinoe disse que vai continuar lutando por igualdade salarial, por direitos humanos e pela inclusão plena no esporte. Na rede social Threads, publicou uma mensagem de apoio à comunidade trans, a quem chamou de família.
O caso leva para o mercado publicitário uma discussão que o futebol feminino conhece bem: a de que posicionamento político tem preço para a atleta. Com o relato de Rapinoe, entra em cena um elemento novo, a triagem automatizada de patrocinadas por inteligência artificial, que pode afastar uma jogadora de uma campanha antes mesmo de uma conversa com a marca.
Segundo ela, uma ferramenta de inteligência artificial da marca marcou como risco o apoio público que ela dá aos direitos das pessoas trans.
Poucos dias antes do início das gravações, de acordo com o artigo que ela escreveu para a Marie Claire.
Não. Ela disse que segue defendendo igualdade salarial, direitos humanos e a inclusão plena no esporte.