Redação GINGA36

Miyu Hirayama narra a Copa do Mundo Feminina Sub-17

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A japonesa Miyu Hirayama, primeira mulher a narrar jogos na transmissão oficial da J.League, narra a Copa do Mundo Feminina Sub-17 e contou que entrou na profissão esperando que 80% a 90% das reações fossem críticas, em entrevista publicada nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, pelo FOOTBALL ZONE. A conversa, com o jornalista Ryohei Hayashi, é a segunda de duas partes.

Os títulos se acumulam. Hirayama foi a primeira mulher na narração das imagens oficiais da J.League e é a segunda japonesa a narrar um torneio internacional. Ela diz encarar os rótulos como sorte: para ela, quase todos os espaços de pioneirismo feminino já tinham sido abertos, da leitura de notícias à reportagem esportiva, e a narração era um campo ainda livre.

Como ela chegou à narração?

Hirayama entrou em 2022 na SBC Shinetsu Hoso, emissora de rádio e televisão em que passou pouco mais de quatro anos. A estreia como narradora da J.League veio em setembro de 2024.

O estalo veio na transmissão do futebol nos Jogos Olímpicos de Tóquio. A narração em inglês feita para o exterior era de uma mulher, e Hirayama estranhou que algo comum fora do país causasse desconforto só no Japão. Concluiu que era uma questão de costume.

Depois de escalada, ela mergulhou no ofício. Conta que deixava áudios de narração tocando do momento em que acordava até a hora de dormir, e que chegou a mantê-los ligados durante o sono, na esperança de aprender também ali. A própria Hirayama define a sua energia como fora da escala.

Quando a escolha se tornou pública, ela sabia que o Shinano Mainichi Shimbun, o jornal mais lido da região, daria a notícia. Não esperava acordar e encontrá-la na primeira página.

O que ela esperava ouvir do público?

O pior. Hirayama disse que ela mesma imaginava estranhar uma voz feminina na narração e que chegou a perguntar ao chefe se precisava mesmo ser ela.

“No começo, entrei achando que 80%, 90% seriam críticas. Mas, ao contrário do que eu esperava, houve muitas manifestações de alegria”, disse ao FOOTBALL ZONE.

As críticas à narração feminina existem, e ela as aceita como sinal de que parte do público ainda não se acostumou. Reconhece, porém, que por ser mulher é mais cobrada. Por isso se impõe nunca errar o nome de uma jogadora e cuida até dos deslizes pequenos, que chamam mais atenção. Sobre outras mulheres na função, diz que quem quiser deve tentar e que ganhar colegas é motivo de alegria.

Por que ela deixou a emissora?

Hirayama tornou-se narradora independente em 2026 e fazia três ou quatro meses que tinha saído da emissora quando deu a entrevista. A razão, segundo ela, foi conseguir enxergar com nitidez a si mesma dali a um ano: no mesmo estádio, fazendo a mesma narração. Dentro da emissora, não via nada que superasse o impacto de narrar futebol, e decidiu que, quando o próprio futuro deixasse de entusiasmá-la, era hora de se mexer.

Sem o respaldo de uma empresa, diz que o que entrega passa a ser avaliado diretamente. Mesmo assim, afirma que não quer tratar o futebol como trampolim e pretende contribuir com o esporte por muito tempo.

Como ela enxerga uma partida?

Como teatro. Na comparação de Hirayama, o gramado é o palco, as atletas são o elenco, ela se vê como regente de orquestra e quem assiste está na plateia. O objetivo é deixar uma palavra que fique na memória depois dos 90 minutos. Como tem pouca vivência no futebol, diz que não escolhe palavras pela experiência de campo, e sim pela capacidade de prender quem ouve.

O primeiro contato dela com o futebol feminino foi na WE League, a liga profissional japonesa, e a impressão foi a de um esporte diferente, com características próprias: a velocidade de uma jogadora, a explosão do time num gol, o contraste com o jeito das atletas fora de campo. Ela pede ao público que deixe de lado os preconceitos e escolha algo para torcer na Sub-17, seja a idade, a modalidade ou uma jogadora.

O que muda

Para a torcedora japonesa, a seleção Sub-17 do Japão, conhecida como Little Nadeshiko, tem uma pioneira da narração na transmissão do torneio, e o segundo jogo da equipe na fase de grupos está marcado para esta quinta-feira (22). Para o futebol feminino, é mais uma mulher ocupando um posto que no Japão ainda causa estranheza.

Para entender

Quem é Miyu Hirayama?

É uma narradora japonesa que estreou em setembro de 2024 como a primeira mulher na transmissão oficial da J.League e deixou a SBC Shinetsu Hoso em 2026 para trabalhar de forma independente.

O que a levou a narrar futebol?

A transmissão dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em que a narração em inglês era de uma mulher. Ela concluiu que o estranhamento no Japão era questão de costume.

Quando o Japão joga de novo na Copa Sub-17?

A Little Nadeshiko faz o segundo jogo da fase de grupos nesta quinta-feira (22).

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