Dez embaixadinhas. Esse foi o desafio proposto pelo pai, e a primeira vitória da carreira de Paris-Emilie Daramola no futebol.
“Eu jogava muito na quadra com o meu irmão mais velho, mas não estava inscrita em nenhum clube”, ela relembrou à FIFA. “Um dia, meu pai me disse: ‘Paris, se você conseguir fazer dez embaixadinhas, eu te inscrevo num clube.’ Então eu treinei e acabei conseguindo fazer as dez embaixadinhas.”
Isso foi em 2019 e, com apenas 10 anos na época, Daramola assinou com o seu primeiro clube, o FC Rouen. Mas a história, na verdade, começou um ano antes, diante da TV, quando a França, liderada pelo jovem astro Kylian Mbappé, venceu a Copa do Mundo da FIFA 2018™, na Rússia. Com o país em festa e as imagens da conquista se espalhando pelo mundo, a menina foi arrebatada pela magia do momento.
“Acho que foi aquele torneio que me fez me apaixonar de verdade pelo futebol; o clima em volta era incrível”, ela relembra. “Quando eu vi o quanto aquilo deixou todo mundo feliz e como o ambiente era bom, foi demais. Aquele time era incrível.”
Oito anos depois, ela vive de perto a intensidade de uma Copa do Mundo, defendendo a França na Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA Marrocos 2026™. O sonho que tomou forma enquanto ela assistia aos feitos dos Bleus na Rússia virou uma aventura bem real. “Sinceramente, é incrível estar jogando uma Copa do Mundo”, disse. “Tudo correu bem desde que chegamos. O clima na concentração é positivo e estamos todas apoiando umas às outras. Acho que temos a mentalidade certa para ir longe.”
Depois de estrear com uma vitória por 2 a 0 sobre a Venezuela no Grupo D, as Bleuettes se preparam para um grande teste contra o Japão nesta quarta-feira. Daramola já conhece o Japão e estará especialmente motivada para este jogo, já que fez parte da equipe francesa que perdeu por 1 a 0 para as japonesas no Torneio de Montaigu de 2025. Desta vez, a zagueira central espera dar o troco. “O Japão é muito organizado e bem treinado”, disse Daramola. “Elas ficam à vontade jogando em espaços curtos. Vamos tentar mantê-las o mais longe possível do nosso gol. Temos uma continha para acertar.”
Mas há muito mais em jogo nesta partida do que a revanche. É também uma oportunidade para as jogadoras de Franck Plenecassagne darem o primeiro passo rumo à classificação para o mata-mata. Daramola quer que a equipe mostre a mesma confiança e a mesma união da partida de estreia. “Estávamos tão positivas que esquecemos a pressão”, disse. “Há um clima positivo no time e, pessoalmente, me dá força saber que tenho uma equipe unida atrás de mim. Somos como uma família.”
Mas, embora tudo pareça correr bem agora, a carreira da jovem francesa poderia ter tomado um rumo muito diferente. Depois de começar no FC Rouen, ela se transferiu para o Quevilly Rouen Métropole, onde ficou por cinco anos. Com o tempo, porém, os treinos, o despertar às 6h da manhã e a sensação de que não estava evoluindo começaram a afetar a sua motivação. “No meu último ano lá, eu quis desistir. Eu estava cansada. Sentia que não estava evoluindo, que estava andando para trás.”
Foi nesse período de incerteza que a carreira dela deu uma virada decisiva. Convocada para a seleção sub-15 da França, ela jogou contra o Paris Saint-Germain durante um período de treinamento. Ao fim da partida, uma das jogadoras do PSG contou que ela tinha chamado a atenção de Bernard Mendy, então olheiro do clube parisiense. A princípio desconfiada, Daramola recebeu uma ligação no dia seguinte com um convite para um teste e acabou entrando no clube.
Desde então, ela subiu pelas categorias de base e já teve até o primeiro gostinho do futebol profissional, estreando numa partida oficial em fevereiro de 2026. Paralelamente à carreira no futebol, ela continua os estudos no campus do PSG e mantém as portas abertas para o futuro, com arquitetura e direito entre as possibilidades.
A jogadora de 17 anos se inspira em quem deixou sua marca no futebol francês. A sua referência é Wendie Renard, que ela admira tanto pelo talento quanto pelo alto nível de exigência. “Ela é uma jogadora que trabalha muito em si mesma, que está sempre buscando ir além. É isso que é preciso para competir no mais alto nível. Ela é uma inspiração para mim.” A jogadora do PSG está igualmente determinada a continuar evoluindo. No nível em que está, esta Copa do Mundo representa um marco importante. “Trabalhamos por mais de um ano para chegar aqui. Não vamos relaxar agora. O nosso objetivo é ganhar esta Copa do Mundo.” O Japão é o próximo obstáculo no caminho. Para Daramola, a partida é mais uma oportunidade de crescer, de representar o seu país e de dar o próximo passo rumo ao objetivo que as Bleuettes traçaram para si mesmas. Em 2018, ela viu Mbappé, Antoine Griezmann e os companheiros fazerem história. No Marrocos, ela espera começar a fazer a sua.
Publicado originalmente pela FIFA em 19/10/2026: Daramola fala de memórias de Copa do Mundo, do duelo com o Japão e das esperanças da França →