
A Nigéria fica fora de uma Copa do Mundo Feminina pela primeira vez. A seleção perdeu por 2 a 1 para a África do Sul na repescagem disputada em agosto, em Casablanca, no Marrocos, e não estará na Copa do Mundo Feminina 2027, no Brasil, como mostrou o Guardian nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026.
A derrota veio poucos dias depois da eliminação nas quartas de final da Copa Africana de Nações Feminina (WAFCON), diante do Camarões. Só as semifinalistas do torneio garantiram vaga direta no Mundial, e as Super Falcons, como a seleção é conhecida, tiveram de disputar o jogo extra contra as sul-africanas.
O golpe é grande para a seleção mais vencedora da África, somando homens e mulheres: são dez títulos da WAFCON. A Nigéria era uma das sete seleções que tinham disputado todas as edições da Copa do Mundo Feminina, e a única africana nesse grupo.
A Nigéria perde também o dinheiro de desenvolvimento que o Mundial distribui, e a premiação de 2027 deve crescer em relação à edição de quatro anos antes. Em 2023, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, prometeu igualar até 2027 os prêmios dos torneios masculino e feminino. A Copa masculina nos Estados Unidos, no Canadá e no México distribuiu 727 milhões de dólares. Notícias recentes indicam que a FIFA não vai cumprir a meta, mas ficar de fora continua sendo um prejuízo para as nigerianas.
"O futebol feminino não tem o luxo de não estar numa Copa do Mundo", afirmou Janine Anthony, jornalista especializada em futebol feminino africano. Para ela, o Mundial é a maior vitrine da modalidade e um veículo comercial que nenhuma seleção pode dispensar.
Anthony diz que, apesar das conquistas, as Super Falcons ficam em último plano para a federação, nas ligas nacionais, na gestão e na preparação. A falta de jogos antes da WAFCON, disputada no Marrocos, apareceu em campo como falta de entrosamento na maioria das partidas. O então técnico, Justine Madugu, mudou a escalação titular com frequência ao longo do torneio.
Antes da competição, a Nigéria fez dois jogos contra o Senegal, que nunca se classificou para uma Copa do Mundo. Antes da edição de 2025, tinham sido três amistosos, contra França, Camarões e Portugal. Segundo Anthony, a Federação Nigeriana de Futebol (NFF) não aproveitou a mudança da WAFCON para julho.
O mapa do futebol feminino africano está mudando. Entre as seleções do continente que jogaram a Copa de 2023, só o Marrocos tem vaga garantida no Brasil. A África do Sul vai para a repescagem intercontinental, que começa em novembro, enquanto Nigéria e Zâmbia estão fora.
Na WAFCON, os destaques foram o Malaui e o Camarões. Estreante no torneio, o Malaui brilhou com o ataque das irmãs Tabitha Chawinga e Temwa Chawinga e vai disputar sua primeira Copa do Mundo. O Camarões ficou com o título depois de entrar na competição graças à ampliação de 12 para 16 seleções, decidida pela Confederação Africana de Futebol (CAF).
A ausência feminina se soma a outras quedas. A seleção masculina ficou fora das duas últimas Copas, e a Sub-17 masculina não vai a um Mundial desde 2019. A Sub-20 feminina venceu a Inglaterra por 3 a 0 em setembro e chegou às quartas de final do Mundial da categoria, mas perdeu em seguida para a Colômbia por 1 a 0.
As Super Falcons já fizeram protestos e boicotes a treinos por diárias e bônus atrasados, inclusive nas WAFCON de 2004, 2016 e 2022 e na Copa do Mundo de 2019. Segundo a imprensa local, a NFF é investigada pelo Departamento de Serviços do Estado da Nigéria pelo suposto desvio de um fundo de 17 bilhões de nairas (9,5 milhões de libras), liberado pelo governo em 2024 para pagar o que se devia a jogadoras e funcionários das seleções. A NFF não respondeu ao Guardian.
Em agosto, o presidente Bola Tinubu cobrou mudanças profundas na governança, na administração, na formação de jogadoras e jogadores, nas competições nacionais e na prestação de contas. Pouco depois, Ibrahim Gusau deixou a presidência da NFF, junto com outros dirigentes. As eleições da federação, marcadas para setembro, foram suspensas.
Para a torcedora, a Copa de 2027 no Brasil será a primeira sem a seleção que representava a África em todas as edições. Para a Nigéria, a ausência tira dinheiro, vitrine e jogos de alto nível de uma equipe que já reclamava de falta de investimento, e coloca a reconstrução nas mãos de uma federação em crise e sob investigação.
Sim. A Nigéria era uma das sete seleções presentes em todas as edições do torneio, e a única africana.
A África do Sul, que venceu por 2 a 1 na repescagem africana disputada em agosto, em Casablanca.
O Marrocos tem vaga garantida e o Malaui vai disputar sua primeira Copa do Mundo. A África do Sul ainda joga a repescagem intercontinental.