Redação GINGA36

Pioneiras da seleção brasileira feminina vão à escola no Rio

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Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina foram à Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro, na tarde da quarta-feira (21), para abrir o programa Pioneiras nas Escolas. O projeto leva atletas de décadas passadas a escolas da rede pública da cidade.

Na abertura, quatro times formados só por alunas disputaram um minitorneio no campo da escola, sob o olhar das ex-atletas. Os meninos ficaram na arquibancada.

Quem são as pioneiras?

São mulheres que vestiram a camisa do Brasil poucos anos depois de o futebol deixar de ser proibido para mulheres no país.

Fia, hoje com 62 anos, ficou cinco anos na seleção, foi tricampeã continental e disputou a primeira Copa do Mundo feminina e o primeiro torneio olímpico de futebol feminino.

Caju, ex-zagueira de 60 anos, defendeu a seleção de 1988 a 1999, com 43 jogos e 34 vitórias. Hoje ela é árbitra de partidas.

Quem coordena o programa é Duda Luizelli, também ex-jogadora da seleção e bicampeã sul-americana, que defendeu o Internacional, de Porto Alegre, e os italianos Milan e Verona. Marisa e Pelé, outras duas ex-jogadoras da seleção, também participaram das atividades.

Por que o futebol era proibido para mulheres?

De 1941 a 1979, o Decreto-Lei 3.199 vetou o futebol às mulheres, ao restringir a participação delas em esportes considerados incompatíveis com sua natureza. Liberada em 1979, a modalidade só foi regulamentada em 1983.

A seleção brasileira disputou sua primeira competição, um torneio experimental, em 1988, na China. A primeira Copa do Mundo feminina veio três anos depois, também na China, e o futebol feminino estreou nos Jogos Olímpicos em 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos.

A proibição surpreendeu a estudante Nicoly Melo, de 12 anos. “Por que não podiam?”, perguntou.

O que as ex-jogadoras contaram às alunas?

Além de histórias de motivação e curiosidades, as alunas ouviram relatos de machismo e preconceito. Fia disse que enfrentava o preconceito confiando na própria habilidade.

“Sempre joguei com menino. Tinha talento. Não queria saber de machismo”, contou.

Perguntada sobre os maiores absurdos que ouviu, Caju lembrou as provocações que recebia em campo. “Vários torcedores diziam que mulher não servia para jogar futebol”, relatou. “Aquelas palavras mexiam com nosso ego, e a gente queria, mais e mais, mostrar que mulher sabe jogar futebol.”

Para Duda Luizelli, o projeto mostra que as mulheres devem acreditar nas próprias capacidades, sem largar os estudos. “O estudo é muito importante porque, mesmo quem for ser atleta, jogadora de futebol, de vôlei, de basquete, terá uma carreira muito curta. Com 38, 39 anos, acabou a nossa carreira e nós temos que dar uma continuidade”, afirmou.

Qual a relação com a Copa de 2027?

A Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro é parceira do projeto. Segundo a coordenadora de Projetos Integradores da SME, Caroline Guedes, o Pioneiras nas Escolas faz parte da preparação do Rio para ser uma das oito cidades-sedes da Copa do Mundo Feminina 2027, entre junho e julho de 2027.

“É muito importante que a gente já esteja se preparando para esse momento e, mais do que isso, se preparando dentro do nosso primeiro ginásio olímpico, que é muito importante para nossa rede”, disse.

Desde 2012, a escola é classificada pela prefeitura como Ginásio Experimental Olímpico (GEO), modelo de ensino integral com incentivo à prática esportiva. São cerca de 600 estudantes de 11 a 15 anos, e a unidade tem treinadores de 19 modalidades. A prefeitura trata o modelo, iniciado na preparação para a Rio 2016, como legado olímpico. A cidade tem 12 GEOs.

Aluna do nono ano, Letícia Pereira, de 15 anos, chamou de “um privilégio” receber as ex-jogadoras e disse que a experiência é “meio caminho andado para as alunas por mostrar que o esporte também dá futuro, sim”. Ela promete ir aos jogos da Copa: “Meu pai me leva lá, eu fico lá torcendo”, disse à Agência Brasil.

O que muda

A geração que abriu caminho para a seleção depois da proibição passa a falar diretamente com alunas da rede pública do Rio, antes de a cidade receber jogos da Copa do Mundo Feminina. Para as estudantes, é contato com quem viveu o começo da história da seleção, num programa que liga a escola ao torneio de 2027.

Para entender

O que é o Pioneiras nas Escolas?

É um programa que leva ex-jogadoras da seleção brasileira feminina a escolas da rede pública do Rio de Janeiro, coordenado por Duda Luizelli, com parceria da Secretaria Municipal de Educação.

Até quando o futebol foi proibido para mulheres no Brasil?

De 1941 a 1979, pelo Decreto-Lei 3.199. A modalidade só foi regulamentada em 1983.

Quando é a Copa do Mundo Feminina no Brasil?

Entre junho e julho de 2027, com o Rio de Janeiro entre as oito cidades-sedes.

Redação GINGA36