
A seleção feminina de Cabo Verde estreou na Copa Africana de Nações Feminina (WAFCON) em 29 de julho de 2026, no Marrocos, com derrota de 2 a 0 para Gana, informou o Her Football Hub. Por trás da primeira participação está Rui Costa, diretor técnico nacional da federação cabo-verdiana.
O resultado não foi o começo que as Tubarões Azuis esperavam, mas a vaga no torneio já era um marco. A classificação para a WAFCON de 2026 veio na esteira de outro feito do país: a primeira participação da seleção masculina numa Copa do Mundo. Segundo o veículo, a chegada ao Marrocos não aconteceu por acaso. É resultado de um processo longo, que começou a dar frutos concretos.
O cargo de Rui Costa na Federação Cabo-Verdiana de Futebol é amplo. Ele responde pela formação de treinadores, pelo desenvolvimento de talentos, pelo futebol de base, pelo futebol feminino e pelos projetos técnicos de longo prazo, feitos em parceria com a FIFA, a Confederação Africana de Futebol (CAF) e outros parceiros internacionais. Também cabe a ele alinhar o caminho de formação das atletas a uma filosofia de jogo clara.
A trajetória dele lembra a de muitas jogadoras da seleção: saiu do país em busca de oportunidades e voltou para aplicar o que aprendeu. Construiu toda a carreira de treinador na Inglaterra, onde o futsal pesou na formação da sua filosofia, pela atenção ao detalhe, pela compreensão tática e pela metodologia. Os pais dele são cabo-verdianos, assim como a esposa e os filhos, e ele próprio tem a nacionalidade do país.
O principal fator, segundo Rui Costa, foi apostar na diáspora. A federação identificou jogadoras de origem cabo-verdiana em Portugal, Inglaterra, Espanha, Polônia, Austrália e outros países, construiu relação com elas, apresentou o projeto e as integrou à seleção.
O trabalho dentro do arquipélago também aparece no elenco. De acordo com o diretor técnico, cerca de metade do grupo começou a jogar em Cabo Verde antes de seguir para clubes do exterior, como FC Porto, Benfica, Braga, Vitória de Guimarães e, mais recentemente, Beşiktaş. Para ele, isso mostra que o futebol local continua formando atletas capazes de competir no nível internacional.
A federação pôs em marcha uma estratégia de desenvolvimento técnico de quatro anos para o futebol feminino e de base. A meta é criar estruturas sustentáveis em todas as etapas da formação, da iniciação até o alto rendimento. Rui Costa disse que o futebol feminino recebe no país mais atenção do que nunca.
Além disso, a federação prepara um plano estratégico específico para a modalidade, com quatro frentes: fortalecer as competições nacionais, elevar o nível dos treinadores, aumentar a participação e abrir mais oportunidades para as meninas em todo o país.
O projeto olha também para a pessoa por trás da atleta. "Nem toda menina vai se tornar jogadora profissional, mas toda menina vai crescer para ser uma líder na família e na comunidade, seja como mãe, tia, professora ou em outro papel importante", afirmou o diretor técnico.
Uma das maiores prioridades é implantar um sistema robusto de licenciamento de clubes, projeto de longo prazo que envolve a federação, o governo de Cabo Verde, a FIFA e a CAF. O licenciamento exige que os clubes cumpram padrões em governança, formação de base, infraestrutura, administração, finanças e desempenho esportivo.
A lógica, segundo Rui Costa, é a de um ciclo: clubes mais fortes formam jogadoras e treinadores melhores e, no fim, seleções mais fortes. O sistema pode, com o tempo, permitir que clubes cabo-verdianos disputem a Liga dos Campeões Feminina da CAF, criada há pouco tempo, contra rivais do continente.
Para Cabo Verde, a estreia na WAFCON de 2026 marcou a passagem de seleção emergente para participante do principal torneio do continente, sustentada pela diáspora e por jogadoras formadas em casa. O diretor técnico apostou que os quatro anos seguintes seriam de crescimento significativo para o futebol feminino no arquipélago, com base em estrutura, e não em resultado rápido.
A seleção perdeu para Gana por 2 a 0 em 29 de julho de 2026, no Marrocos, na primeira partida do país na história do torneio.
Parte do elenco veio da diáspora, em países como Portugal, Inglaterra, Espanha, Polônia e Austrália. Cerca de metade começou a jogar no próprio arquipélago antes de seguir para clubes como FC Porto, Benfica e Braga.
Rui Costa, diretor técnico nacional da federação cabo-verdiana, que fez toda a carreira de treinador na Inglaterra antes de voltar.