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Shilky: na Índia, tudo é coração

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A Índia enfrenta Vietnã, Japão e Taipé Chinês no Grupo C da qualificatória para a Copa do Mundo Feminina da FIFA.

A seleção volta ao cenário continental pela primeira vez em 23 anos.

Shilky Devi Hemam é uma das jovens promessas mais talentosas do país.

De volta ao cenário continental pela primeira vez em mais de duas décadas, a Índia busca um começo rápido na Copa Asiática Feminina da AFC, torneio que também vale como qualificatória da Ásia para a Copa do Mundo Feminina da FIFA.

Fora de campo, porém, uma das jovens estrelas da equipe está mais do que satisfeita em ir com calma, como Shilky Devi Hemam explica à FIFA na véspera da estreia da equipe contra o Vietnã. "Nosso time tem jogadoras de toda a Índia e, embora a gente possa se encontrar no nível de clube, só nos reunimos de verdade na seleção.

Existe um clima ótimo no grupo, estamos sempre sentadas juntas, conversando e fazendo uma rir a outra.

No que diz respeito à música que a gente ouve, todo mundo tem a vez de tocar uma canção e, no meu caso, minha escolha é uma música chamada Baarishein, do artista indiano Anuv Jain. É uma música lenta, eu não curto muito música de DJ, adoro música lenta." Em campo, a ascensão da estrela de 20 anos está longe de ser tranquila.

Presença regular em todas as categorias de base da seleção, aos 16 anos ela já fazia parte do elenco principal convocado para a edição anterior da Copa Asiática Feminina. O que deveria ter sido um momento histórico para a seleção, com a Índia sediando o torneio, virou frustração.

Disputado durante a pandemia, uma sequência de casos de Covid forçou a Índia a se retirar depois de apenas uma partida da fase de grupos, tirando da seleção a chance de se classificar para o que seria sua primeira Copa do Mundo Feminina. Ainda naquele ano, porém, Shilky foi peça importante na categoria de base quando a Índia sediou a Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA.

Apesar de a seleção ter sido eliminada na fase de grupos, a versátil meio-campista/zagueira foi titular nas três partidas do time e aquele gostinho dos grandes torneios a deixou ainda mais determinada a voltar ao cenário global com a seleção principal.

"Foi uma experiência ótima na Copa do Mundo Sub-17, mas tenho certeza de que seria uma sensação diferente se conseguíssemos nos classificar para o Brasil 2027. Desde pequena, tenho esse sonho.

Primeiro, meu objetivo era jogar pela seleção e depois eu queria jogar em um grande torneio. Depois disso, o objetivo passou a ser chegar à Copa do Mundo, então as coisas estão avançando passo a passo.

Mas esse é o objetivo, com certeza: garantir que a gente faça nossa melhor apresentação na Copa Asiática e se classifique para a Copa do Mundo."

Com a Ásia tendo seis vagas diretas e mais duas possivelmente disponíveis pelo Torneio de Repescagem, superar uma fase de grupos difícil é o desafio inicial da Índia. Depois da estreia contra o Vietnã, a seleção enfrenta a força do Japão antes de fechar a fase contra o Taipé Chinês, time que busca voltar à elite do esporte pela primeira vez desde 1991.

É uma tarefa e tanto para um time pouco familiarizado com a elite continental, mas há um elemento que, na visão de Shilky, joga a favor da Índia.

"Foi uma pena o que aconteceu com a gente no último torneio, por causa da Covid, ainda mais porque aquele deveria ter sido meu primeiro grande torneio pela seleção, mas agora estamos de volta à Copa Asiática depois de 23 anos.

Sabemos que Japão, Taipé Chinês e Vietnã são adversários fortes e, claro, como times que já jogaram Copa do Mundo, nós os respeitamos. Mas, para nós, tudo é confiar umas nas outras e jogar com o coração.

É natural ficar nervosa, mas se conseguirmos controlar as coisas mental e fisicamente e manter a confiança que temos umas nas outras, só precisamos garantir a classificação. Esse é o plano."

Por mais que a ausência tenha sido longa para a Índia no nível continental, o fato de a seleção nunca ter disputado o principal palco do futebol feminino continua incomodando. E é algo que Shilky está determinada a mudar.

"Acho que o fato de nunca termos nos classificado para a Copa do Mundo faz com que muita gente não conheça muito bem o futebol indiano, isso é um fato.

Também significa que temos que fazer tudo o que pudermos para nos classificar, e isso vai trazer mais atenção. Quando nos classificarmos e participarmos de grandes torneios, as pessoas vão ver a qualidade do futebol indiano e quantas jogadoras boas nós temos."

A própria Shilky faz parte dessa conversa, tendo superado obstáculos repetidos para se tornar, mesmo tão jovem, uma parte consolidada do presente e do futuro do futebol indiano.

Criada no estado de Manipur, no extremo nordeste do país, região que já revelou vários astros do futebol masculino, as coisas estavam longe de ser fáceis nos seus primeiros passos no esporte.

"O futebol sempre foi minha paixão desde muito pequena e devo muito ao meu pai. Naquela época, quase não havia meninas ou mulheres, só uma ou duas, na minha cidade que jogavam futebol, mas ele sempre me incentivou a jogar.

Comecei jogando em times de meninos e, embora isso tenha ajudado no meu crescimento e desenvolvimento, minha principal inspiração sempre veio dos meus pais, especialmente do meu pai.

Quando eu era pequena, eu simplesmente amava jogar e nunca usava celular nem outros aparelhos. Às vezes a gente assistia futebol na TV, mas não tínhamos televisão em casa naquela época. Então, com meu pai, meus vizinhos e todo mundo da região, a gente se reunia numa casa que tinha televisão para assistir aos grandes jogos, como os da Copa do Mundo."

Se tudo sair como planejado, essa mesma comunidade, na cidade de Moirang (população de 20 mil habitantes), pode muito bem estar assistindo à sua heroína local no ano que vem, no Brasil. Tendo começado como atacante, depois como zagueira e mais recentemente no meio-campo, Shilky não coloca limites em até onde pode chegar no futebol, às vésperas de semanas decisivas para o futebol indiano.

"É meu sonho poder jogar por um clube europeu no futuro, e as jogadoras da Índia precisam sentir que podem realizar seus sonhos. Mas as coisas estão indo passo a passo e, por enquanto, precisamos focar na seleção.

Estamos melhorando, tanto na posse de bola quanto fisicamente, mas o mais importante é que, em cada partida, a gente jogue com o coração."

Imagens: cortesia da AFC.

Publicado originalmente pela FIFA em 02/03/2026: Shilky: na Índia, tudo é coração →

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