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Shin Nayeong traça o próprio caminho nos Estados Unidos

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A zagueira Shin Nayeong, do Brooklyn FC, durante treino da equipe em 2026.
Foto: Divulgação/FIFA

Todos com quem a FIFA falou antes de entrevistar a internacional sul-coreana Shin Nayeong disseram a mesma coisa: “Ela tem uma personalidade tão brilhante.” Agora em sua segunda temporada nos Estados Unidos, Shin traçou um caminho único no futebol feminino da Coreia do Sul. Enquanto muitas jogadoras coreanas se transferem para o exterior depois de se firmarem na seleção, Shin fez o caminho inverso e só recebeu sua primeira convocação para a seleção principal depois de se firmar fora do país, tendo se juntado ao Lexington SC, da USL Super League, em 2024, e depois ao Brooklyn FC.

Tudo o que você precisa saber sobre a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027

Principalmente zagueira, Shin também é capaz de jogar como lateral ou volante. Essa versatilidade fez dela uma opção importante para o técnico da seleção sul-coreana, Shin Sangwoo, que conduz uma transição geracional na equipe nacional. Em março, ela ajudou a seleção a garantir vaga na Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027 através das eliminatórias da Copa da Ásia Feminina da AFC. Antes de ganhar mais experiência internacional no FIFA Series 2026, torneio disputado no Brasil em abril, Shin refletiu sobre a vida na seleção, as diferenças entre o futebol nos Estados Unidos e na Coreia do Sul, sua vida como nova-iorquina e a responsabilidade de representar seu país.

FIFA: O que você ganhou com as eliminatórias da Copa da Ásia e com o FIFA Series no Brasil?

Shin Nayeong: Uma coisa que percebi de imediato contra o Brasil foi o quanto elas eram parecidas com as jogadoras americanas que enfrento toda semana. Um erro pode rapidamente virar gol nesse nível. Essa experiência reforçou a ideia de que, como zagueira, não posso me desligar nem por um segundo. Um erro pode mudar tudo. Para competir com equipes desse calibre, percebi que nossa organização defensiva e nossa marcação individual ainda precisam melhorar.

Como o estilo das jogadoras brasileiras e americanas difere do da Coreia do Sul?

Nos Estados Unidos, a ênfase é menor na marcação individual, já que a linha de quatro zagueiras sobe muito agressiva e compacta. Por causa disso, os lançamentos longos costumam virar uma arma ofensiva eficiente. As equipes jogam direto e depois disputam a segunda bola. Na Coreia, eu geralmente recebia instrução para manter uma distância fixa da jogadora que eu marcava. Aqui, as técnicas dizem para deixar espaço e reagir quando a bola vem por cima. A ideia é dar tempo para a equipe se organizar antes de disputar a bola. As abordagens são muito diferentes.

Você já conversou com Brian McBride, o diretor geral do Brooklyn FC?

Ele supervisiona as equipes masculina e feminina do nosso clube. É uma figura muito famosa no nosso futebol. Ele aparece no treino às vezes, e quando soube da minha convocação para a seleção, me chamou pessoalmente. Ele me parabenizou e disse que esperava que tudo desse certo.

A Copa do Mundo da FIFA chega a Nova York neste verão. Como é a cidade?

Uma coisa que percebi é o quanto os americanos levam o esporte a sério. Nova York é uma cidade muito densamente povoada e as pessoas são incrivelmente apaixonadas. Se há um grande evento esportivo em determinado dia, a cidade inteira parece ganhar vida. O trânsito fica impossível porque muita gente vai para os estádios. Por causa dos nossos jogos em casa, passo bastante tempo no Brooklyn. Sempre que fico frustrada depois de um jogo ou só quero sair e colocar a cabeça no lugar, vou até a região do DUMBO e olho para a Brooklyn Bridge. Sempre acho que ela fica mais bonita à noite.

O que fez você decidir se mudar para os Estados Unidos em 2024?

Para ser sincera, eu sempre me senti distante da seleção. Normalmente, as jogadoras que se transferem para o exterior já são internacionais com reputação consolidada. Eu queria ser uma das primeiras jogadoras a ir para o exterior sem esse histórico e me desafiar. Torci para que isso pudesse inspirar outras jogadoras também. Eu estava convencida de que, mesmo se um dia voltasse para a Coreia, a experiência fora do país me ajudaria a crescer como jogadora.

Como foi a sensação quando você recebeu sua primeira convocação para a seleção?

A diretora do clube foi, na verdade, a primeira pessoa a me contar. Mesmo assim, não pareceu real até a lista oficial da convocação sair. Quando finalmente vi meu nome ali, senti como se um caminho totalmente novo tivesse se aberto à minha frente.

Alguma jogadora mais experiente ajudou antes e depois da sua mudança para os Estados Unidos?

Eu já vinha conversando com Ji Soyun antes de partir para os Estados Unidos. Ela sempre me dizia para encarar o desafio e que eu era capaz de dar certo. Quando eu era mais nova, ela foi uma das jogadoras que inspiraram meus sonhos. Ela já viveu os momentos mais altos e mais baixos de uma carreira no futebol. É por isso que ela consegue enxergar coisas que eu nem sempre consigo ver em mim mesma, e por isso o conselho dela significa tanto para mim.

O que a classificação para a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 significou para você?

Durante aquele torneio, realmente tentamos construir algo juntas, em vez de pensar de forma individual. Ji Soyun quis cuidar de todo mundo, incluindo as jogadoras que não estavam tendo minutos em campo. Ela tomou a iniciativa e ajudou a criar uma atitude positiva em todo o grupo. Isso também me motivou. Acho que esse espírito coletivo nos ajudou a produzir desempenhos melhores ao longo da competição.

O que a perspectiva de disputar a Copa do Mundo Feminina significa para você?

Quando me mudei da Coreia para os Estados Unidos, muita gente me apoiou. Elas continuam me apoiando agora. Morar sozinha nos Estados Unidos e me adaptar a uma equipe nova não foi fácil. Houve muitas etapas difíceis pelo caminho. Mas graças a todo esse apoio, consegui continuar seguindo em frente e me desenvolvendo. Sou muito grata. Vou continuar trabalhando duro para retribuir a todos que me apoiaram.

Publicado originalmente pela FIFA em 08/06/2026: Shin Nayeong traça o próprio caminho nos Estados Unidos →

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