
Tenho dó de uma gostosa que não sabe lidar com a própria gostosura nestes tempos. Sydney Sweeney é a gostosa desnorteada de quem vou falar agora.
Tá proibido ser gostosa? Jamais. Usar a própria gostosura do jeito como melhor lhe convier?
Sou parceira. Ninguém aqui neste site julga a forma como uma mulher escolhe mostrar ou usar o seu corpo em 2026. O que não pode é se fazer de besta; vamos aos fatos:
No backstage, o bafafá todo começou faz um tempo (quanto? Não sabemos, a informação não é pública); mas sabe-se que não foi ontem que Sweeney procurou a Novig, uma empresa de “prediction markets esportivos” se oferecendo para entrar na sociedade do negócio e atuar como “parceira estratégica”. O resultado da parceria ficou assim
uma atriz com histórico recente de campanhas atravessadas por questões de sexualização, eugenia e outras pautas meio escrotas
se apropriando da pauta esportiva em um momento especialmente efervescente para atletas do sexo feminino (a Deloitte estima que a receita global dos esportes femininos de elite chegue a US$ 3 bilhões neste ano, crescimento de aproximadamente 340% desde 2022)
pra vender bet
num app cujo público é formado por 72% de homens
posando sem roupa, escondendo apenas o necessário por meio de equipamentos esportivos:
Tem tanta coisa tão errada nessa história que dá um banzo só começar a puxar o fio, mas a discussão é importante e ecoou porque, em 2026, a questão já não é mais “poxa, uma mulher tendo a imagem nua explorada para fins comerciais". Ela que comercialize o que quiser, vestida ou não. O ponto são vários e todos muito relevantes: faz sentido para a discussão atual sobre a presença das mulheres no esporte (e a essa altura da vida supuestamente inteligente na Terra) explorar o corpo feminino de forma sensual em contexto esportivo? Usar essa imagem pra vender bet no atual cenário calamitoso, encarado como questão de saúde pública pelo mundo todo, em que o vício nessa prática tem destruído ou arruinado direta e indiretamente milhões de vidas?
Por que Ó DEUSA as marcas seguem conseguindo resultados incríveis de exposição quando usam a controvérsia pura (na enorme maioria das vezes desprovida de outro significado aceitável)? Quando vamos parar de dar palco praquilo que nos causa mais repugnância do que admiração?
Não sei a resposta pra nenhuma dessas questões, mas sei que a campanha de Sweeney para a Novig, que foi às ruas em 9 de setembro, ecoou devidamente no meio esportivo feminino e, por mais que certamente tenha perdido em volume de reverberação, gerou buzz relevante entre atletas de ponta. Elas se manifestaram de formas diversas, mas maio que mostraram a vida como ela é: não tem nada de glamuroso na rotina de uma mulher incrível que treina pesado - e isso é diametralmente oposto à imagem da campanha estrelada pela atriz e de todo o trabalho duro de conscientização que vem sendo feito sobre o tema nas últimas décadas.
Sydney Sweeney tentou se defender com poucas palavras e usando imagens de estrelas do esporte feminino posando nuas ou seminuas.
O pipoco saiu pela culatra - praticamente todas as imagens dos ensaios publicados pela atriz mostravam sim o corpo feminino, mas num contexto da OLHA A BELEZA DESSAS MÁQUINAS DE VENCER (liberdade poética minha, não é exatamente isso, mas tô emocionada). Ou seja: só reforçou o argumento das atletas que se manifestaram contra as fotos da atriz. Parabéns, nota zero pela estratégia.

Edmundo em 1998 para Zorba
Acervo da Publicidade/Divulgação ZorbaNão que eu esperasse muito da musa dos MAGA nos EUA. Mas essa moça foi de uma profundidade ética e moral nanométrica. Fico satisfeita em acreditar que, quando a cabecinha dela encosta no travesseiro, ela sente sim todo o peso da vergonha que está passando.