
— Temwa Chawinga ajudou a levar o Malawi à Copa do Mundo Feminina
— Enquanto o Brasil acena para a atacante, ela já esteve perto de abandonar o futebol
— Atacante do Kansas City Current contou sua história à FIFA
“Quando você está jogando futebol, sonha em chegar ao grande palco”, diz a atacante do Malawi Temwa Chawinga. “Isso significa a Copa do Mundo.” O Malawi garantiu sua vaga na fase final global depois de uma campanha surpreendente até a decisão da Copa Africana das Nações Feminina (WAFCON) em julho e agosto deste ano, mas houve um tempo em que a presença de Chawinga no maior palco do futebol estava longe de ser certa.
O Malawi nunca tinha chegado à fase final global antes, e Chawinga, que agora conta os dias até embarcar para a América do Sul, quase jogou a toalha durante sua primeira passagem no exterior. Deixar o país natal por terras distantes é uma perspectiva assustadora para qualquer jogadora jovem. Chawinga descobriu isso na prática em 2017, quando, aos 18 anos, deixou Rumphi, sua pequena cidade natal no norte do Malawi, para uma nova vida a mais de 8.000 km de distância.
“Houve um momento em que eu estava saindo do Malawi para ir para a Suécia que foi muito difícil porque eu era muito jovem”, ela reflete. “Acabei sozinha.”
Ela estava planejando se juntar à irmã Tabitha, dois anos mais velha, na Suécia, mas Tabitha deixou o Kvarnsvedens IK rumo à China quase imediatamente após a chegada de Temwa.
“Eu só tinha medo de ficar sozinha em outro país, e não tinha muitas amigas. Eu disse à minha irmã que não conseguia ficar sozinha, que precisava voltar para casa. Eu precisava estar com a minha mãe.”
Felizmente para Temwa, a irmã sabia exatamente o que dizer para convencê-la a ficar e seguir carreira na Escandinávia.
“Minha irmã disse não”, relembrou a jogadora de 28 anos. “Ela conversou com o time, que trouxe outras jogadoras do Malawi e da África para ficar comigo. Minha irmã me ajudou muito, e é por isso que eu não desisti. Ela me mostrou o caminho, disse: ‘Não sinta saudade de casa, só foque na sua carreira.’”
Levando o conselho da irmã a sério, a atacante superou a saudade de casa e a solidão para se firmar como uma das finalizadoras mais letais do futebol mundial, balançando as redes com uma consistência notável.
Na Suécia, ela marcou 55 vezes em apenas 57 partidas. Sua fase artilheira continuou quando se juntou à irmã no Wuhan Jiangda, em 2020, e mesmo quando Tabitha se transferiu novamente, primeiro por empréstimos sucessivos para a Inter de Milão e o Paris Saint-Germain, depois em definitivo para o OL Lyonnes. O retrospecto artilheiro espetacular de Temwa até o fim de 2023 foi mais do que suficiente para chamar a atenção do Kansas City Current, da National Women's Soccer League (NWSL).
Veio outra mudança, desta vez a mais de 11.000 km, de Wuhan para o Missouri. Seus novos empregadores americanos logo perceberam que tinham contratado uma estrela. Como a primeira malauiana a jogar na NWSL, Chawinga mais uma vez se viu abrindo caminho sozinha e, fiel ao seu estilo, deixou os gols falarem por ela. Ela se tornou a primeira jogadora a marcar contra todos os times da NWSL em uma única temporada e terminou como artilheira da liga e Jogadora Mais Valiosa em 2024 e 2025.
Outra marca logo veio no cenário internacional, quando o Malawi garantiu sua vaga na fase final global do ano que vem. Chawinga liderou uma campanha de estreia notável das Scorchers na WAFCON de 2026, torneio classificatório para a Copa do Mundo, terminando como artilheira do evento, com cinco gols e duas assistências. “A WAFCON foi incrível para mim e para todo o Malawi”, ela relembra. “Foi a nossa primeira vez, e as pessoas não davam a mínima chance de conseguirmos esse feito. Mas mostramos ao mundo que o Malawi tem uma boa seleção. Todo mundo se esforçou, trabalhamos duro. Cada jogadora queria ir à Copa do Mundo, e sabíamos que o caminho para chegar lá era pela WAFCON.”
Mas, mais uma vez, antes do primeiro confronto da fase de grupos contra a Nigéria, dez vezes campeã africana, a apreensão quase venceu Chawinga.
“Antes do jogo, eu estava com medo”, diz Chawinga. “A Nigéria tinha vencido a WAFCON dez vezes, enquanto nós não tínhamos vencido nada. Mas, no fim das contas, é futebol. Cada jogadora se esforçou do primeiro ao último apito. Foi difícil, mas vencemos.”
Aquela vitória por 3 a 2, construída com dois gols de Temwa e o outro gol da equipe marcado pela irmã, sem dúvida ajudou a seleção do Malawi a acreditar que podia se classificar para a Copa do Mundo. Mas, para isso, elas sabiam que precisavam chegar às semifinais.
“Depois da Nigéria, comecei a acreditar em mim mesma”, ela diz. “Se batêssemos a Nigéria, conseguiríamos. É só um torneio, todo time é igual a nós. Fomos lá para competir, não só para participar.”
Temwa mostrou não só sua competitividade, mas também seu faro de gol, marcando na vitória por 3 a 1 sobre o Egito, depois na vitória por 2 a 1 sobre Gana nas quartas de final, antes de balançar as redes novamente no triunfo por 3 a 1 sobre a Argélia nas semifinais.
Agora cabe a ela colocar em prática toda essa preparação, e seu instinto artilheiro, em solo brasileiro. A pergunta é: o que o Malawi pode esperar alcançar em sua estreia no torneio?
“Temos muito talento no Malawi”, ela afirmou. “Vamos enfrentar times fortes lá, mas todo mundo está se preparando agora para a Copa do Mundo e para enfrentar times fortes. Podemos pegar os Estados Unidos ou a França, que são times grandes, mas precisamos ir lá para competir. Eu acredito no time. Eu acredito nas técnicas.”
A atacante também compartilhou suas esperanças para o sorteio, marcado para 11 de dezembro, no Rio de Janeiro. “Eu adoraria encontrar minhas companheiras de equipe [do Kansas City Current] e trocar camisas com elas. Eu também gostaria de ficar no mesmo grupo da China, porque também tenho amigas lá. Se você encontra suas companheiras de clube na Copa do Mundo, é divertido. Mal posso esperar para chegar lá.”
Uma década atrás, partir rumo ao desconhecido talvez a tivesse oprimido. Desde então, ela percorreu um caminho notavelmente longo.
Publicado originalmente pela FIFA em 08/10/2026: Temwa Chawinga: mal posso esperar pela Copa do Mundo →