
A Copa do Mundo Feminina 2027, no Brasil, não deve ter prêmio igualitário: a premiação total deve ficar em cerca de um terço da masculina, como informou o Mezha.net. A FIFA não confirmou os valores, e a decisão é esperada para dezembro.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, disse em 2023 que a igualdade nas premiações até 2027 era objetivo da entidade, e acrescentou que a FIFA avançava com ações, não apenas com palavras. A declaração alimentou a expectativa de que as seleções femininas receberiam o mesmo que as masculinas.
A igualdade por seleção não exigiria a mesma soma total. O torneio masculino teve 48 participantes, e a Copa de 2027 terá 32. Bastaria à premiação feminina chegar a dois terços dos US$ 655 milhões do torneio masculino para que cada equipe recebesse o mesmo valor. A projeção de cerca de um terço fica abaixo dessa marca.
O cenário se forma depois de a FIFA obter receita recorde de US$ 15 bilhões (£ 11,2 bilhões) com o torneio masculino deste verão. Campeã da competição, a seleção masculina da Espanha recebeu US$ 50 milhões.
Segundo a Sky News, citada pelo Mezha.net, o objetivo é dobrar a premiação feminina, de US$ 110 milhões em 2023 para US$ 220 milhões. O valor seria mais de sete vezes o da Copa de 2019, disputada na França.
O aumento é considerado expressivo mesmo sem a igualdade. Pessoas a par das negociações das últimas semanas o elogiaram em caráter reservado. Já uma mulher de alto escalão, não identificada, avaliou que a FIFA perdeu uma grande oportunidade.
Dirigentes da FIFA teriam conversado com as principais jogadoras para explicar a decisão e apresentar um plano mais amplo de investimento no futebol feminino. A escolha estaria ligada à receita comercial esperada para a Copa de 2027.
Infantino já havia criticado as emissoras, afirmando que deveriam pagar mais pelos direitos de transmissão do torneio feminino. Segundo a FIFA, a Copa de 2023 teve 933 milhões de espectadores na TV tradicional e 895 milhões em streaming (transmissão pela internet). A final entre Inglaterra e Espanha, ainda segundo a entidade, teve 67 milhões de pessoas ao vivo no mundo e audiência acumulada de 222 milhões.
A FIFA não comentou o assunto quando procurada pelo Guardian. Pessoas ligadas à entidade afirmam que ela ampliará o apoio aos clubes femininos e garantirá dinheiro adicional para as jogadoras que disputarem o torneio.
No início do mês, a FIFA informou que cada seleção da Copa de 2027 terá a mesma verba de preparação da competição masculina. O valor mais que dobrou e chegou a US$ 2,5 milhões por equipe.
A entidade também garante a todas as jogadoras viagens em classe executiva ou voo fretado e quarto individual em hotel, no mesmo padrão da Copa masculina.
Para as seleções que disputarão a Copa de 2027, a perspectiva é de mais dinheiro do que em 2023, mas sem a igualdade que Infantino apontou como objetivo. Na preparação e na logística, o padrão fica igual ao dos homens. Na premiação, não deve ficar.
Segundo a Sky News, o objetivo é chegar a US$ 220 milhões, valor que a FIFA não confirmou.
A confirmação não é esperada antes da reunião do Conselho da FIFA, em dezembro.
Sim, segundo a FIFA: classe executiva ou voo fretado e quarto individual em hotel.