Redação GINGA36

Copa do Mundo Feminina 2027 escapa de boicote da UEFA à FIFA

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Copa do Mundo Feminina 2027 escapa de boicote da UEFA à FIFA
Reprodução/FIFA

A Copa do Mundo Feminina 2027, no Brasil, escapou de um boicote da UEFA depois que a FIFA desistiu, na noite da sexta-feira anterior, do plano de vender 20% de uma nova subsidiária comercial, como informou a ESPN em 1 de agosto de 2026.

A proposta que Gianni Infantino, presidente da FIFA, apresentou às federações filiadas tinha 25 páginas e não mencionava o futebol feminino nenhuma vez, segundo o Guardian, citado pela ESPN. Fontes ouvidas pela ESPN acreditam que o caso nunca teria acontecido a um ano de uma Copa masculina, quando o risco de perturbação provocaria pânico. Para elas, a FIFA subestimou as consequências para a modalidade.

O que a FIFA queria vender?

A subsidiária se chamaria FIFA Forward Enterprise (FFE) e controlaria os ativos comerciais e operacionais mais valiosos da entidade: direitos de transmissão, patrocínios, ingressos e hospitalidade das Copas do Mundo masculina e feminina e de outras competições da FIFA.

Críticos afirmaram que o plano trocava a integridade esportiva pelo retorno comercial. Na leitura deles, isso poderia significar ingressos mais caros, Copas mais frequentes e menos atenção ao desgaste das atletas e ao acesso do público aos jogos.

O plano vazou na noite de terça-feira e foi condenado de forma ampla. A UEFA concordou em boicotar as competições da FIFA, inclusive a Copa do Mundo de 2030, e a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também se opuseram.

Por que o futebol feminino seria o primeiro atingido?

O calendário colocava as mulheres na frente. A repescagem europeia para 2027 estava prevista para começar em outubro. Antes dela vinha a Copa do Mundo Feminina Sub-20, na Polônia, marcada para 5 de setembro, e depois a Sub-17 feminina, no Marrocos.

Sem a UEFA, ficariam fora Espanha, campeã mundial, Inglaterra, campeã europeia, Alemanha, bicampeã mundial, além de França, Suécia e Holanda. Seriam seis das dez primeiras seleções do ranking da FIFA e três das quatro semifinalistas de 2023. Entre as principais favoritas ao título, só Estados Unidos e Brasil, o país-sede, estão fora da Europa.

A ESPN avalia que uma Copa sem Alexia Putellas e Aitana Bonmatí, vencedoras da Bola de Ouro, ou sem as inglesas perderia prestígio e valor comercial.

Quanto dinheiro a Copa movimenta?

A Copa do Mundo Feminina de 2023 gerou cerca de US$ 570 milhões em receita, o suficiente para fechar as contas no zero a zero. Os direitos comerciais e de marketing responderam por US$ 455,9 milhões.

O torneio é o principal motor financeiro do futebol feminino. A premiação de 2023 foi recorde, de US$ 110 milhões, dividida entre federações e atletas, e pela primeira vez a FIFA pagou diretamente às jogadoras em vez de passar todo o dinheiro pelas federações. A Espanha recebeu cerca de US$ 4,2 milhões, e a Inglaterra, pouco mais de US$ 3 milhões.

O peso é maior para quem joga em seleções menores ou de países em desenvolvimento. Muitas atletas fora das principais ligas têm salários modestos ou um segundo emprego, e o prêmio da Copa pode mudar a vida delas, segundo a ESPN.

Como o recuo da FIFA foi recebido?

A desistência pouco acalmou a raiva de jogadoras, treinadoras, agentes e federações nacionais, informou a ESPN. Emma Hayes, técnica da seleção dos Estados Unidos, foi uma das vozes públicas contra o plano.

Jogadoras, agentes e outras fontes da modalidade disseram à ESPN que já estavam preocupadas com os rumos do futebol feminino, e várias estrelas têm reclamado do excesso de jogos. Outras apontaram preços de ingressos “ridiculamente altos” e custos de viagem que impediram parte da torcida de ir aos estádios.

O que muda

O recuo veio antes da fase decisiva do ciclo da Copa do Mundo Feminina 2027, o que, para a ESPN, reduz o risco de dano duradouro para o torneio no Brasil. A avaliação do veículo, porém, é que o episódio não inspira confiança no futuro, porque o futebol feminino teria sido a primeira vítima da disputa entre Infantino e o restante do futebol.

Para entender

Quanto cada jogadora recebeu na Copa de 2023?

Os pagamentos individuais foram de US$ 30 mil, pela fase de grupos, a US$ 270 mil, pelo título. Cada vice-campeã inglesa ficou com cerca de US$ 195 mil.

Os clubes também ganham com a Copa?

Sim. Pelo Club Benefits Programme da FIFA, mais de mil clubes dividiram US$ 11,3 milhões por ceder jogadoras em 2023. Barcelona e Chelsea receberam, cada um, pouco menos de US$ 250 mil.

Redação GINGA36