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De olho em 2027, Brasil deu um "passo para cima" no Mundial Feminino Sub-20

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Brasil e Espanha, na Copa do Mundo Feminina da FIFA.
Foto: FIFA/Reprodução

É claro que o Brasil sonhava em chegar mais longe na Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA 2026™, e a derrota por 1 a 0 para a Espanha nas quartas de final adiou novamente a busca pelo primeiro título brasileiro na competição. Porém, o resultado não apaga o que foi construído em cinco jogos na Polônia, nem os sinais deixados pela geração que cresce enquanto o país se prepara para receber a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™.

“Era hora de a gente dar um passo para cima, e a gente deu esse passo para cima mesmo não saindo com a classificação para a semifinal”, disse a treinadora Camilla Orlando à FIFA após a partida. Abaixo, alguns tópicos ajudam a entender o “passo para cima”.

Competir contra o top 10 (e vencer)

O caminho brasileiro ajuda a dimensionar a análise de Camilla. Depois de estrear com uma vitória por 4 a 1 sobre a Tanzânia, o Brasil passou por uma sequência de adversários de peso – três membros do top 10 do Ranking Mundial Feminino da FIFA Coca-Cola: derrotou o Canadá por 3 a 0 e a Inglaterra por 2 a 1, superou os Estados Unidos nos pênaltis após empate por 1 a 1 e só parou diante da Espanha (líder do Ranking).

Contra a Inglaterra, o Brasil saiu atrás e marcou duas vezes no segundo tempo, com o gol da virada de Gisele já nos acréscimos finais. Diante dos EUA, a Seleção abriu o placar com Sofia Couto e perdeu a vantagem poucos minutos depois, mas resistiu à prorrogação e converteu suas cinco cobranças com muita frieza na disputa por pênaltis.

Foram diferentes situações de pressão diante de seleções que disputam as principais competições internacionais.

“Eu tenho muito orgulho delas. A gente fez uma campanha de altíssimo nível contra adversários de altíssimo nível. O que me traz mais orgulho é o jeito que elas jogaram e o tanto que a gente evoluiu na competição. Foram disciplinadas taticamente, inteligentes, unidas, guerreiras. Não desistiram”, afirmou Camilla.

Crescer e se corrigir durante os jogos

Os números também mostram uma característica recorrente. Dos dez gols marcados pelo Brasil na Polônia, oito saíram no segundo tempo: três contra a Tanzânia, dois diante do Canadá, os dois da virada sobre a Inglaterra e o gol de Sofia contra os Estados Unidos.

A produção depois do intervalo foi resultado de diferentes fatores ao longo da competição, entre ajustes, correções, leitura dos espaços e mudanças de peças. Contra a Inglaterra, por exemplo, o Brasil virou o jogo totalmente na etapa final.

“O Brasil buscou o gol a todo momento. A gente sabia que seria um desafio, porque contra adversários de altíssimo nível os espaços são poucos, é preciso ter eficiência. Mas eu saio daqui sabendo que o Brasil fez uma grande campanha”, explicou Camilla, que sempre foi incansável à beira do campo e gritou instruções constantes para suas atletas.

Muito mais do que 11 titulares

Essa evolução também esteve ligada à profundidade do elenco. Camilla Orlando promoveu mudanças frequentes na equipe e encontrou respostas vindas do banco, sem depender de uma formação única para ser competitiva.

A rotatividade teve outra função importante em uma competição curta e intensa: aumentar o número de jogadoras expostas a contextos diferentes. Titulares e reservas tiveram de responder a jogos físicos, momentos de desvantagem, decisões eliminatórias e até uma disputa por pênaltis. A experiência acumulada não ficou restrita a um grupo pequeno.

Identidade que atravessa categorias

Atual campeã da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2023™ e da Copa do Mundo da FIFA 2026™ no feminino e no masculino, a Espanha é conhecida por sua identidade tática que atravessa categorias e até gêneros. É evidente que o modelo espanhol funciona, mas o que o Brasil tem aplicado também merece atenção.

Na Seleção Brasileira Sub-20, Camilla Orlando trabalha em sintonia com a comissão de Arthur Elias na equipe principal, enquanto Rilany Silva conduz a Sub-17 dentro de uma estrutura que procura aproximar as categorias. Foi Rilany, por sinal, quem descobriu a promissora goleira Thaís Silva, que tem apenas 18 anos e brilhou no Mundial Sub-20.

A conexão aparece também nos comportamentos: equipes dispostas a pressionar alto, recuperar rapidamente a bola, e manter uma postura agressiva e vertical na busca pelo gol. A circulação de jogadoras e a concorrência por posições são propositais.

Estrada para o Brasil 2027 e além

Quando se fala sobre a proximidade da Copa do Mundo Feminina de 2027, isso não significa que as jogadoras que estiveram na Polônia automaticamente serão chamadas para disputar o torneio em casa, mas a Sub-20 é uma das pontes possíveis até a equipe de Arthur Elias – inclusive, algumas delas já estrearam na Seleção principal e aproveitaram o Mundial juvenil para desenvolver ainda mais “casca” competitiva.

E, para Camilla, suas atletas mostraram que podem percorrer essa distância: “Elas ganharam uma grande bagagem nessa competição e têm tudo para representar o Brasil, se assim for o desejo do Arthur Elias nesse momento. Elas estão prontas, eu tenho certeza disso. Elas são muito mais do que um jogo. Elas não podem esquecer disso, estão em um caminho excelente”, afirmou a treinadora à CazéTV.

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Publicado originalmente pela FIFA em 19/09/2026: De olho em 2027, Brasil deu um "passo para cima" no Mundial Feminino Sub-20 →

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