FIFA

Estrelas da Coreia do Sul olham para a Polônia 2026

FIFA
Coreia do Sul, na Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA, em 2026.
Foto: Divulgação/FIFA

Nam Seungeun e Jo Hyeyoung eram as jogadoras mais jovens do elenco da Coreia do Sul na Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA Colômbia 2024. Nascidas em 2006, as duas, junto com a goleira Jeong Dahee, foram convocadas duas categorias acima da idade delas, juntando-se a companheiras nascidas em 2004 e 2005.

A técnica da seleção sub-20 feminina da Coreia do Sul, Park Younjeong, apostou nas duas jovens e deu a elas a chance, com Nam atuando em quatro partidas e Jo em três, na estreia das duas na Copa do Mundo Sub-20. A Coreia do Sul avançou de forma dramática às oitavas de final depois de vencer a favorita Alemanha na última partida do grupo, mas a campanha terminou em derrota para a anfitriã Colômbia.

Dois anos depois, essas jogadoras não são mais as mais jovens do elenco para a Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA Polônia 2026, e estão entre as integrantes mais experientes da seleção. No meio do caminho, Nam encarou o desafio de jogar no Japão, enquanto Jo se juntou ao Madrid CFF antes de voltar ao cenário global.

Nam, que soma três jogos pela seleção principal, explica como o papel dela mudou: “Dois anos atrás, eu pensava: “Não erre, só faça o seu trabalho.” Agora, em vez de pensar em mim mesma, jogo pelo time e quero que a gente vença.”

Jo completou: “Na Copa do Mundo Sub-20 de 2024, havia muitas jogadoras mais velhas para eu admirar, então eu me via num papel de apoio. Agora sou uma das mais velhas e sinto uma responsabilidade maior.” No espaço de apenas dois anos, as duas jogadoras ganharam experiência fora do país e se firmaram no exterior.

Jo chega à Copa do Mundo Sub-20 com uma motivação ainda maior depois de acertar a ida para a Espanha, onde sonha jogar desde a infância. A ambição dela de jogar na Espanha se consolidou depois de participar de um período de treinos em Madri em 2019: “Ver de perto como as jogadoras espanholas se desenvolvem desde tão jovens me fez me apaixonar pelo futebol espanhol.

Dali em diante, só pensava em voltar para jogar lá.” Depois de esperar muito tempo por uma proposta da Espanha se concretizar, Jo disse: “Ir para a Espanha era o meu sonho de infância, então fiquei incrivelmente grata. Pareceu uma validação de todo o trabalho duro que eu tinha colocado como jogadora de futebol.” Nam, por sua vez, foi direto do ensino médio para o Albirex Niigata Ladies.

A decisão dela de se mudar para o Japão em vez de cursar uma universidade coreana ou entrar em um time da WK League foi motivada só pelo futebol. Nam explicou: “Já joguei na Coreia, mas fiquei curiosa sobre como era o futebol em outros países. O Japão também é um grande país do futebol. Eu me perguntava o que era diferente e o que fazia com que elas fossem tão boas. Tomei a decisão só pensando em melhorar o meu jogo.” A primeira experiência dela fora do país, no entanto, esteve longe de ser tranquila.

“Enquanto eu estava no Japão, perdi um pouco de confiança e passei por uma espécie de fase ruim. Também tive muitas lesões naquela época e, por ser a minha primeira vez jogando fora, tive que lidar com tudo sozinha e não me cuidei tão bem quanto deveria. Não consegui treinar direito, então a minha confiança caiu e senti que não tinha conseguido mostrar o que eu era capaz de fazer.” No fim das contas, porém, aquele período deixou Nam mais forte para a segunda Copa do Mundo Sub-20 dela.

“Passar por aqueles momentos difíceis me deixou mais forte e me ajudou a me tornar quem eu sou hoje. Venho me preparando com todo cuidado, com esta Copa do Mundo Sub-20 como meu único foco, e quero mostrar tudo o que eu sou capaz de fazer neste palco.” Então, o que as duas guardam de memória da primeira Copa do Mundo Sub-20 delas?

Jo destacou o confronto das oitavas de final contra a anfitriã: “Eu lembro de cada partida e de cada gol claramente, mas o que mais se destaca é ter jogado diante de um público tão grande contra a Colômbia. Foi uma experiência incrível, e isso não acontece com tanta frequência em casa.”

Nam, por sua vez, relembrou a última partida do grupo contra a Alemanha, disputada antes: “Acho que qualquer pessoa assistindo teria imaginado que a gente ia perder. Mas nos preparamos muito bem, causamos uma zebra com a vitória e avançamos às oitavas de final. Lembro de ficar tomada pela emoção conforme tudo ia acontecendo.”

A caminho da Polônia 2026, as duas jogadoras seguiram com o desenvolvimento rápido e se firmaram como peças-chave do time. Zagueira, Nam se transformou em uma jogadora que sente prazer especial em iniciar jogadas de ataque com a qualidade dela no passe. Hoje no Bunnys Gunma FC White Star, na terceira divisão japonesa, a zagueira diz: “Gosto de construir jogadas e curto sair jogando pelo passe. Adoro a sensação de encontrar uma companheira livre com um passe.”

Ela acrescentou que costuma assistir a vídeos de zagueiros que se sentem à vontade com a bola na defesa, como Dean Huijsen, John Stones, Gerard Piqué e Iñigo Martínez. Jo, que pode jogar em qualquer uma das pontas, é uma atacante que gosta de driblar as zagueiras no um contra um antes de cruzar ou cortar para dentro e ir para o gol ela mesma. Jo, que cita Lamine Yamal, do FC Barcelona, como ídolo no futebol, disse: “Quero ser uma jogadora chave em um grande clube e ser alguém capaz de fazer as coisas acontecerem, como o Yamal.”

As posições delas podem ser diferentes, mas as duas são unidas pela filosofia incutida pela técnica Park Younjeong, e tudo gira em torno de tomar a iniciativa. Jo disse: “A técnica sempre nos diz: “Não tem problema errar em campo, então joguem com confiança.” Ela é bem firme quanto a isso: tudo bem se algo que você tenta não dá certo, mas não tentar não é aceitável.” Falando sobre Park, com quem seguem para a segunda Copa do Mundo Sub-20, as duas jogadoras disseram: “Ela nos trata como amigas, o que ajuda a quebrar barreiras dentro do elenco.

Isso mantém o ambiente do time bem positivo, e quando as coisas não estão funcionando durante uma partida, os conselhos dela nos ajudam a encontrar uma solução.” As duas também concordaram totalmente que Park tem “uma paixão incrível pelo futebol”, acrescentando: “Seja nas partidas ou nos treinos, ela é sempre extremamente dedicada.”

As duas jogadoras, se preparando para uma segunda Copa do Mundo Sub-20 sob o comando da apaixonada Park, já passaram por um teste importante.

A Coreia do Sul garantiu a vaga na Polônia 2026 ao vencer a anfitriã Tailândia por 2 a 1, após a prorrogação, em uma disputada quarta de final na Copa da Ásia Feminina Sub-20 da AFC Tailândia 2026.

Durante o torneio, porém, enfrentaram a atual campeã Coreia do Norte duas vezes e receberam um lembrete claro da diferença que ainda existe, perdendo por 5 a 0 na última partida do grupo e por 3 a 0 nas semifinais. Jo, que desfalcou a equipe nas duas partidas por lesão, disse sobre a Coreia do Norte: “Elas são um time incrivelmente aguerrido. Com certeza é uma das seleções que eu quero vencer em algum momento da minha carreira.”

Nam, que já enfrentou a Coreia do Norte três vezes nas categorias de base, completou: “Elas conseguem correr os 90 minutos inteiros. Como zagueira, você não consegue deixar de pensar: “Será que elas nunca cansam?” Elas sempre têm uma vontade de vencer tão forte que eu realmente gostaria de vencê-las pelo menos uma vez também.”

A Coreia do Sul, por sua vez, tem ambições próprias para a Polônia 2026. As duas jogadoras disseram que o objetivo final é vencer o título, ao mesmo tempo em que destacaram a necessidade de alcançar essa meta ambiciosa passo a passo. Jo disse: “Claro, como jogadora de futebol, você entra em qualquer torneio querendo vencer. Chegamos às oitavas de final da última vez, então desta vez o objetivo é ir um passo além, até as quartas de final, e, se der, seguir daí para a frente.”

Nam disse: “Em vez de mirar alto demais logo de cara, primeiro eu quero que a gente passe da fase de grupos. Depois, se conseguirmos continuar vencendo no mata mata e realmente chegar até o título, eu ficaria muito feliz.”

Na Colômbia, as duas eram jovens aprendendo com as companheiras mais velhas. Na Polônia, elas esperam se tornar exemplos para as jogadoras mais jovens. Jo disse: “Eu acho que não existe time fácil em uma Copa do Mundo. Tem um pouco de pressão, mas eu quero aproveitar o máximo que eu puder. Eu quero que a gente se torne um time que as outras tenham que respeitar. Quando o torneio acabar, eu quero que as pessoas digam: “Dava para ver que ela joga no exterior e que ela tem mais experiência e mais a oferecer.””

Nam completou: “Eu quero ajudar o time a não sofrer gols. Quando o torneio acabar, eu quero ser lembrada como uma jogadora com um futuro muito brilhante. Eu quero me tornar uma jogadora que lidera a defesa da Coreia do Sul”, disse ela, deixando clara a sua ambição.

Publicado originalmente pela FIFA em 27/08/2026: Estrelas da Coreia do Sul olham para a Polônia 2026 →

FIFA