Foram tensos os 120 minutos de jogo entre Brasil e Estados Unidos nesta quarta-feira (16), pelas oitavas de final da Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA Polônia 2026™. Por isso, é perfeitamente compreensível que a goleira Thaís Lima tenha sentido o corpo todo tremer durante a decisão por pênaltis vencida pelas brasileiras por 5 a 4, com uma cobrança defendida por ela.
Afinal, embora ela já tenha se tornado a goleira mais jovem de todos os tempos a estrear pela Seleção Brasileira principal na preparação para a disputa da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™, ela tem apenas 18 anos.
“Para ser sincera, eu não mantive a calma. Eu estava e ainda estou tremendo, mas elas me ajudaram a me acalmar. Elas sempre me acalmam. As minhas companheiras e a comissão técnica têm muita confiança em mim”, disse a goleira à FIFA. “O jogo contra os EUA foi uma guerra. A gente sofreu, mas nosso time soube sofrer”, acrescentou a camisa 1 do Brasil às câmeras de TV após a partida.
No entanto, Thaís já precisou tomar decisões muito mais difíceis e sofridas do que escolher um lado para saltar em um pênalti: a jogadora do Benfica atuava pela base de Portugal e, em 2025, optou por defender o Brasil. Nascida em solo português, ela é filha de pai brasileiro e mãe angolana, e o peso de sua escolha fica evidente até na voz – tanto na escolha das palavras quanto no sotaque português, que ainda é marcante.
“Foi uma decisão muito difícil, um misto de emoções. Mas agora que estou aqui, quero focar no Brasil. Estou muito orgulhosa. Agora, o mais importante é a vitória do Brasil. A gente fez um jogão histórico e precisa festejar”, contou.
Como se fosse um capricho do destino, a Arena de Katowice que recebeu Brasil x EUA foi também o palco de Espanha x Portugal no mesmo dia; ou seja, Thaís brilhou em campo e em seguida foi parabenizada por velhos amigos portugueses.
“É um pouco difícil [reencontrar Portugal no estádio no mesmo dia da vitória sobre os EUA], é um misto de emoções”, admitiu Thaís, logo depois de ser cumprimentada e parabenizada por jogadoras e membros da comissão técnica de Portugal.
Ela também é frequentemente elogiada por profissionais que trabalham com a Seleção Brasileira, como a técnica Camilla Orlando que a comanda agora. Desde antes do início da Copa do Mundo Feminina Sub-20, a treinadora já havia falado com a FIFA sobre o talento de sua jovem goleira – e falou de novo após as oitavas.
“Eu sabia que a Thais viria com muita bagagem. Fico feliz que ela esteja com a gente, ela merece brilhar. É uma grande goleira, representando um trio de excelência de nossas goleiras. E tem só 18 anos, então pode ter mais um ciclo de sub-20. Ela me disse que estava um pouco nervosa para os pênaltis, e eu respondi: 'Mas você está pronta’. A base serve para elas chegarem ao profissional melhores”, disse Camilla.
Além dos elogios da atual comandante, o fato de que hoje Thaís veste verde e amarelo deve-se à treinadora Rilany Silva, da equipe sub-17 do Brasil. Foi ela quem notou o talento da goleira enquanto trabalhava nas categorias de base do Benfica e recomendou que a CBF observasse de perto o trabalho da jovem, além de ter sido a responsável por convencê-la a escolher a Seleção Brasileira. E não foi uma missão fácil!
“A Rilany precisou me convencer a fazer o passaporte, mas eu só tenho que agradecer a ela porque foi uma pessoa muito importante para mim”, revelou. “O que eu tenho de diferente no meu futebol? Não sei, sou igual a todo mundo. Tenho trabalhado bastante, e não foi uma caminhada fácil. Só tenho a agradecer à minha família, ao Benfica e à Seleção Brasileira, que me ajuda e me apoia sempre”, completou.
Antes de se despedir, Thaís foi questionada sobre sua torcida para o confronto das oitavas que estava prestes a começar no mesmo estádio, entre Espanha e Portugal. Desta vez, prudentemente, ela optou por não fazer uma escolha porque já sabia que o vencedor enfrentará o Brasil nas quartas de final em 19 de setembro.
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Publicado originalmente pela FIFA em 16/09/2026: Goleira prodígio, Thaís nasceu em Portugal para fazer história pelo Brasil →