
Megan Rapinoe, lenda do futebol feminino, disse no podcast Qui est avec moi?, apresentado por W. Kamau Bell, que quer ver uma pessoa trans de elite competir no esporte, como informou o My Gay Prides nesta sexta-feira, 30 de outubro de 2026.
“Mal posso esperar para ver uma pessoa trans de elite no esporte. Seria incrível”, afirmou a ex-jogadora.
A declaração veio depois de Bell perguntar por que ela não tem medo da presença de mulheres trans no esporte. Rapinoe contestou um argumento conhecido de quem é contra a inclusão: o de que basta uma atleta se declarar mulher para competir. Segundo ela, não é assim que funciona, e pessoas trans passam por muita coisa só para poder jogar.
A ex-jogadora perguntou como os críticos da inclusão definem o que é justo. Com ironia, comentou a ideia de alguém ser bom no esporte e ter algum tipo de vantagem, algo que, segundo ela, não é justo em situação nenhuma.
O exemplo escolhido foi o do basquete. Rapinoe citou Victor Wembanyama, astro do San Antonio Spurs, que tem 7 pés e 4 polegadas de altura. A estatura e o alcance dão a ele vantagens naturais em quadra, e a pergunta dela foi se isso é justo.
Na avaliação de Rapinoe, o esporte já não é justo. Ela acrescentou que essa não é a coisa mais importante do mundo quando comparada aos direitos humanos de alguém, à possibilidade de jogar ou à boa convivência entre as pessoas.
Duas vezes campeã da Copa do Mundo e medalhista de ouro olímpica pela seleção dos Estados Unidos, ela disse que fala a partir da própria experiência: ganhou tudo em todos os níveis e jogou em todas as competições.
Bell também mencionou Royce White e Enes Kanter Freedom, ex-jogadores da NBA que viraram manchete ao dizer que planejavam se inscrever no draft da WNBA identificando-se como mulheres.
Rapinoe rejeitou a proposta. Classificou a ideia como triste, perguntou se os dois não tinham nada melhor para fazer e tratou o caso como golpe e motivo de constrangimento.
A defesa das atletas trans teve custo para ela. Rendeu ataques de conservadores e a perda de contratos com marcas, como relatou o site Them neste ano.
As falas de Rapinoe chegam em meio a um debate moldado em parte por ideias equivocadas sobre o número de atletas trans em competição.
Uma pesquisa recente, feita por Le rempart e pelo jornalista independente Pablo Torre, vencedor do Pulitzer, mediu a percepção sobre a fatia de atletas trans na NCAA. Do total de entrevistados, 15% responderam entre 1% e 5%, ou até uma em cada 20. Outros 14% apontaram entre 6% e 25%, ou até uma em cada quatro. Somados, esses grupos chegam a 29%, quase o mesmo que os 31% que acertaram ao situar a fatia abaixo de 1%.
O presidente da NCAA, Charlie Baker, afirmou a um comitê do Senado em 2024 que menos de 10 atletas trans, entre mais de 510 mil em todo o país, disputavam provas da entidade.
Em fevereiro de 2025, a NCAA proibiu mulheres trans de competir em esportes femininos, depois de um decreto do presidente Donald Trump no início do segundo mandato.
A fala não cria nem altera regra de competição nenhuma. Para a torcedora, ela leva a discussão sobre atletas trans para duas perguntas concretas, o que é justiça no esporte e quantas dessas atletas de fato competem, com a voz de uma campeã mundial do futebol feminino.
Para argumentar que vantagens naturais, como a altura e o alcance do astro do San Antonio Spurs, já fazem parte do esporte.
Rejeitou a proposta de Royce White e Enes Kanter Freedom e a tratou como golpe.
Em fevereiro de 2025, depois de um decreto de Donald Trump.