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Sam Mewis: “Nunca houve outro caminho para mim e para a Kristie”

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Sam Mewis: “Nunca houve outro caminho para mim e para a Kristie”
Foto: FIFA/Reprodução

Sam e Kristie Mewis formam uma das duplas de irmãs mais bem-sucedidas a disputar o futebol feminino internacional.

Elas fizeram parte do elenco dos Estados Unidos que terminou com o vice-campeonato na Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA Nova Zelândia 2008™ (em que Kristie ganhou a Bola de Bronze adidas) e voltaram a jogar juntas dois anos depois, no Mundial Sub-20 na Alemanha. Numa carreira de elite nas categorias de base, Sam depois fez parte da seleção dos Estados Unidos que conquistou a Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA™ de 2012, no Japão.

A dupla emendou com a medalha de bronze olímpica conquistada juntas nos Jogos de Tóquio 2020, adiados, e depois se tornou uma das primeiras duplas de irmãs a disputar a Copa do Mundo Feminina da FIFA™, ainda que em edições diferentes. Sam ajudou os Estados Unidos a conquistar o troféu na França 2019, e Kristie fez parte do elenco norte-americano que chegou às oitavas de final na Austrália e Nova Zelândia 2023.

Jogadora pouco utilizada naquele elenco, Kristie marcou, de forma incrível, com seu primeiro e único toque no Mundial: na disputa de pênaltis da derrota para a Suécia.

Sam, que hoje é editora-chefe do podcast The Women's Game, falou à FIFA sobre fazer história com Kristie e projetou a possibilidade de Tabitha e Temwa Chawinga, do Malaui, e Alyssa e Gisele Thompson, dos Estados Unidos, se juntarem ao número cada vez maior de duplas de irmãs a disputar uma Copa do Mundo Feminina, no torneio do ano que vem, no Brasil.

Irmãs na Copa do Mundo Feminina da FIFA

FIFA: O que significa fazer parte de uma das poucas duplas de irmãs que jogaram uma Copa do Mundo Feminina da FIFA?

Sam Mewis: São dois lados da mesma moeda. Um é que foi algo muito inesperado, porque somos de uma cidade pequena em Massachusetts, éramos uma família de classe trabalhadora. É uma loucura que tenha acontecido. Mas, do outro lado, não é tão loucura assim, porque era tudo o que sempre quisemos fazer. Meus pais trabalharam muito para nos dar todas as oportunidades, e tivemos muita sorte em muitos sentidos, mas tivemos muito apoio. É meio a meio: é uma loucura que tenha acontecido e, é claro, aconteceu. Nunca houve outro caminho para nós.

No momento em que soubemos que a seleção existia, Kristie e eu pensamos: “É isso que vamos fazer”. Ter jogado juntas algumas vezes, em amistosos e na Olimpíada de 2021, foi muito surreal e louco, porque jogávamos na mesma posição, então havia aquela [sensação de] “Quem vai jogar?”. Era competitivo dentro do elenco o tempo todo.

Mas saber que nós duas entramos numa lista de Copa do Mundo e numa lista olímpica por mérito próprio é algo de que minha família se orgulha muito e pelo qual trabalhou muito. Acho que isso ajuda a minha relação com a Kristie, porque ao longo dos anos entendemos o que [a outra] está passando o tempo todo. É um ambiente muito estressante, e ter alguém da família que entende isso e está nesse espaço [cria] um vínculo muito especial. Temos muita sorte de ter podido fazer isso.

Foi especialmente gratificante para você ver a Kristie entrar no elenco para o torneio de 2023 tão tarde na carreira, para que ela pudesse realizar o sonho dela?

Acho que, com a Kristie sendo a irmã mais velha, fico muito feliz que isso tenha acontecido para ela. Queria que a Copa do Mundo dela tivesse sido melhor e que ela pudesse ter vivido a alegria que eu vivi em 2019. Mas a trajetória dela foi muito diferente, porque ela foi cortada da seleção, teve essa lesão no ligamento cruzado anterior, e o caminho de volta até entrar na lista foi esse auge. Por mais que eu quisesse que tivesse sido uma experiência melhor, tenho muito orgulho dela pela resiliência que mostrou para chegar a esse nível.

Vocês jogaram juntas em duas Copas do Mundo de base. Fazer isso numa Copa do Mundo adulta também era um sonho?

Não sei se é algo de que falávamos muito em voz alta quando éramos adolescentes. Acho que nossas visões eram tão centradas em nós mesmas, individualmente, que eu nunca sonhei em ganhar uma Copa do Mundo com a minha irmã lá. Não sei se eu conseguia pensar nisso com tantos detalhes. Mas acho que ganhamos uma medalha de bronze na Olimpíada e, ao celebrar aquele momento, embora tenha sido decepcionante de certa forma ficar com o bronze, tê-la lá meio que amarrou tudo. Sei que aquele momento, para mim, é muito especial.

Falando em irmãs, quão boas são Tabitha e Temwa Chawinga, e quão bom é o Malaui?

A campanha do Malaui na WAFCON para se classificar para a Copa do Mundo foi incrivelmente impressionante. Tabitha e Temwa jogam no mais alto nível, Temwa nos Estados Unidos e Tabitha na França. Mas muitas das companheiras delas jogam no Malaui, então ver o time inteiro se superar, se classificar e chegar até a final da WAFCON foi uma loucura. Pelo que ouço, Temwa é a jogadora mais difícil de marcar de todos os tempos, então acho que ela é um talento especial e único, que tem um faro enorme para fazer gols. Ela vai continuar fazendo isso na NWSL e tenho certeza de que vai fazer isso na Copa do Mundo e acrescentar essa camada de imprevisibilidade. Estou muito animada para vê-las no próximo verão.

Você espera que Alyssa e Giselle Thompson sigam os seus passos no Brasil 2027?

Primeiro, é muito legal vê-las juntas no mesmo time, porque a Alyssa tem jogado como ponta-esquerda e a Giselle, como lateral-esquerda. Acho que a ida da Alyssa para o Chelsea vai desafiá-la a crescer de novas maneiras. Ela já teve sucesso, mas isso vai torná-la uma jogadora mais completa. A Giselle, por ser mais nova, ainda se beneficia muito de jogar no Angel City, na NWSL. Ela cresce a cada ano, é divertida de assistir e contribui com o ataque. A ideia de que elas possam estar em campo ao mesmo tempo, subindo e descendo por aquele lado esquerdo, é muito legal de imaginar. Ir para uma Copa do Mundo e tentar entrar naquele time é algo estressante, e ter lá alguém que faz parte do seu círculo mais próximo, em quem você confia e que pode te ajudar a passar por isso, é muito valioso.

Publicado originalmente pela FIFA em 17/10/2026: Sam Mewis: “Nunca houve outro caminho para mim e para a Kristie” →

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