Redação GINGA36

Thembi Kgatlana usa fundação para manter meninas na escola

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A atacante sul-africana Thembi Kgatlana detalhou o trabalho da Fundação Thembi Kgatlana, criada por ela em 2016 para que meninas da África do Sul não tenham de escolher entre escola, saúde e futebol, em entrevista publicada em 21 de abril de 2026 pelo Her Football Hub.

O centro do projeto é a campanha Buy a Girl a Pad (compre um absorvente para uma menina), que arrecada doações para distribuir absorventes. Kgatlana, então com 29 anos e jogadora da África do Sul, a seleção conhecida como Banyana Banyana, resumiu a mensagem que guia a fundação: “Nós vemos vocês, nós reconhecemos vocês. Vocês não precisam parar de ir à escola nem parar de jogar futebol porque menstruam.”

Por que o absorvente veio primeiro?

Vinda de uma comunidade pobre, a atacante percebeu que as meninas faltavam à escola durante a menstruação, e que isso pesava no desempenho escolar. Para quem também jogava, a conta era dupla: perdia a aula e perdia o treino.

Com as doações, a fundação passou a entregar a cada menina 12 pacotes de absorventes, quantidade suficiente para frequentar escola e esporte durante o ano inteiro. Em 2021, a campanha alcançou um novo patamar e arrecadou o bastante para comprar 2.500 pacotes.

O equipamento entrou pelo mesmo motivo. Segundo Kgatlana, algumas meninas não iam ao treino porque não tinham com o que jogar, e levar chuteiras e uniformes às comunidades dava a elas a chance de competir.

Como a ideia nasceu?

Kgatlana cresceu em Mohlakeng, township a oeste de Johannesburgo, onde futebol não era visto como esporte de mulher. Começou a jogar aos oito anos, por diversão, só com uma bola e as amigas. Por volta dos 12 entrou num time feminino oficial, algo que, segundo ela, nem sabia que existia. Aos 15, saiu de casa para jogar.

O ponto de virada veio na volta dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Ali ela concluiu que havia muito a fazer pelo futebol feminino no país: não só colocar meninas para jogar, mas mudar a vida delas. Enquanto os torneios masculinos eram a regra, saiu para conversar com torcedores, apresentar a ideia e buscar recursos, sabendo que o projeto exigiria tempo e investimento.

O que a fundação já colheu?

Três ou quatro anos depois da criação, duas meninas atendidas pelo projeto receberam convocações para seleções nacionais, o que Kgatlana chamou de um marco muito grande. Mesmo assim, ela não mede o sucesso pelo número de jogadoras que chegam à Banyana Banyana, e sim pelas barreiras que deixam de existir no caminho das meninas.

O trabalho, disse a atacante, não termina na entrega. A fundação volta às comunidades, acompanha as jogadoras e observa se elas chegam às convocações de base ou adultas.

Qual foi o papel da Nike e dos clubes?

A carreira ajudou a ampliar a rede. Em 2018, que ela considera o maior ano da carreira, Kgatlana foi eleita melhor jogadora e artilheira da Copa Africana de Nações e ganhou o prêmio de Jogadora Africana do Ano. Depois de jogar pelo Houston Dash, nos Estados Unidos, passou por China, Portugal e Espanha antes de chegar ao México.

A Nike, patrocinadora da atacante, fornecia chuteiras e uniformes que a fundação distribuía e ia junto às comunidades. Ao assinar com o Racing Louisville, em 2022, Kgatlana apresentou o projeto ao clube antes de fechar contrato e pediu que ele também ajudasse a comunidade. No Tigres, onde jogava em abril de 2026, o clube se associou à fundação e enviou roupas para times e meninas da África do Sul.

O que muda

Para meninas de comunidades pobres da África do Sul, a fundação tratou o absorvente e a chuteira como condição para seguir na escola e no futebol, não como doação avulsa, e com acompanhamento depois da entrega. Para Kgatlana, o projeto transforma a carreira individual em legado: ela disse fazer o trabalho por ser jogadora em atividade, mas com o objetivo de mostrar às meninas que os espaços com que sonham são possíveis. Ela reconheceu que, com mais futebol feminino na televisão, o caminho ficou mais fácil, mas que ainda havia trabalho a fazer.

Para entender

Quando a Fundação Thembi Kgatlana foi criada?

Em 2016, depois que a atacante voltou dos Jogos Olímpicos do Rio.

O que é a campanha Buy a Girl a Pad?

É a campanha de doações da fundação que garante absorventes às meninas: 12 pacotes por menina, o suficiente para um ano inteiro de escola e esporte.

Que empresas e clubes apoiaram a fundação?

A Nike, patrocinadora da jogadora, com chuteiras e uniformes; o Racing Louisville, a partir da contratação em 2022; e o Tigres, do México, que enviou roupas para a África do Sul.

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