"Não gosto de futebol feminino, acho fraco." Você já deve ter escutado essa frase. De um tio no almoço de domingo, de um colega de trabalho, de um amigo no churrasco, nos comentários de qualquer post sobre o Brasileirão Feminino. Mas de onde esse "gosto pessoal" vem?
A quadrinista Carol Ito, com roteiro de Bárbara Komanovic, transformou essa conversa numa tirinha para sua coluna na Revista TPM, e devolve a pergunta: "Você gosta de futebol ou de ver MACHOS jogando?!".
O "gosto pessoal" raramente é só pessoal. Gosto se forma com o que a gente vê e vive. Só que por muito tempo as mulheres brasileiras não puderam jogar bola e, com isso, as pessoas não as assistiam em campo.
Em 1941, o Decreto-Lei nº 3.199 proibiu as mulheres de praticar esportes considerados "incompatíveis com as condições de sua natureza" no país e o futebol entrou nessa lista. A proibição só caiu em 1979, quase 40 anos sem jogo, sem transmissão, sem ídolas na TV. A modalidade foi regulamentada em 1983. Depois, vieram décadas de pouco investimento, pouca cobertura e horários ruins de exibição (quando eles existiam).
Só agora, em setembro de 2026, foi sancionada a Lei nº 15.522 que estabelece diretrizes nacionais permanentes para transformar o futebol feminino em prioridade na política pública esportiva do Brasil.
Comparar velocidade e estilo sem considerar essa diferença de oportunidade é comparar um time que treinou a vida toda com outro que precisou pedir licença para entrar em campo. E, mesmo assim, quero ver alguém assistir a brasileira Marta em campo, escolhida como melhor futebolista do mundo por seis vezes, ou a espanhola Alexia Putellas, que conquistou duas vezes seguidas a Bola de Ouro e o prêmio The Best da FIFA, e dizer que o futebol delas é fraco.
Pode apostar: quem gosta de futebol masculino mas diz que não gosta de futebol feminino não deve ter assistido a uma partida inteira. Em 2027, o Brasil recebe a Copa do Mundo Feminina e vai ser a chance de muita gente ver as mulheres em campo pela primeira vez e acabar de vez com esse preconceito.