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Constant: Há uma paixão nesta seleção do Haiti

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Claire Constant, do Haiti, dribla com a bola.
Foto: Divulgação/FIFA

Teria sido muito fácil para Claire Constant simplesmente desistir. Três meses depois de ajudar o Haiti a se classificar para sua primeira Copa do Mundo Feminina FIFA™, em 2023, a jovem zagueira rompeu o ligamento cruzado anterior e perdeu a fase final global. Sem contrato, a nascida na Virgínia teve que voltar a morar com os pais e pagar do próprio bolso por uma fisioterapeuta para recuperar a forma física. Mas ela saiu mais forte disso e, três anos depois, é peça-chave do DC Power, da USL Super League, e uma presença constante na campanha do Haiti para chegar à Copa do Mundo Feminina FIFA Brasil 2027™. Les Grenadières podem carimbar o passaporte com uma vitória sobre o México nas quartas de final do Concacaf W Championship, em novembro, o que abriria caminho para a esperada estreia de Constant em uma Copa do Mundo. Em conversa com a FIFA, Constant falou sobre o desempenho do Haiti na primeira fase das eliminatórias, sobre como é jogar ao lado da superestrela Melchie Dumornay e sobre o que a manteve motivada nos dias mais sombrios depois da lesão.

FIFA: Qual sua avaliação do desempenho do Haiti na primeira fase das eliminatórias?

Claire Constant: Acho que precisamos ser um pouco mais proativas. Acho que deixamos as equipes assumirem o controle quando deveríamos ter assumido nós mesmas, o que não nos deu a oportunidade de dominar os jogos. Antes das partidas, tivemos sessões de treino muito boas. Estávamos preparadas, mas acho que, na hora de atuar, não parecíamos estar todas na mesma página. Senti que não conseguimos colocar a bola no fundo da rede quando precisávamos em alguns momentos e, também na defesa, facilitamos para que as equipes entrassem, penetrassem e assumissem um pouco o controle.

As adversárias jogam contra o Haiti de forma diferente agora, depois de 2023?

Eu diria que está muito claro que as equipes se adaptaram. Por exemplo, no nosso primeiro jogo contra o Suriname, elas sabiam que precisavam manter alguém marcando a Melchie o tempo todo. Sabiam como marcá-la, como atrapalhá-la, e isso não é algo que se vê com muita frequência. Mesmo quando ela está com o clube, você não a vê ser marcada da mesma forma, então está muito claro que as equipes têm tentado nos decifrar.

A Melchie traz tanta coisa para o time. Como ela evoluiu desde a última Copa do Mundo Feminina?

O que ela traz é insubstituível. Na última Copa do Mundo Feminina, se alguém me perguntasse quem foi a melhor jogadora com quem já joguei, eu teria dito Melchie. E anos depois, ela ainda é. É de louco porque ela ainda é tão jovem. Ela sempre quer estar melhorando. Ela é uma das melhores jogadoras do mundo e também é tão gentil e de coração tão puro que você só quer estar perto dela. Sinto que isso não é algo que se vê com muita frequência entre as melhores jogadoras. Ela é realmente única.

O Haiti enfrenta o México nas quartas de final do Concacaf W Championship, com a vencedora se classificando para a Copa do Mundo. Quais são seus pensamentos sobre isso?

Acho empolgante. Pode ser bom para nós nos concentrarmos em um jogo só. Espero que todo mundo consiga se ligar, especialmente por ser uma equipe como o México. Vencemos por 3 a 0 na última vez que jogamos contra elas e tenho certeza de que elas lembram disso. Elas conseguiram algumas jogadoras novas. Elas mudaram e sei que vão entrar em campo com tudo.

Por que você acha que o Haiti vai se classificar?

Existe uma paixão nesta seleção do Haiti. De onde vêm muitas dessas meninas, é preciso ter algo especial. Eu nasci nos Estados Unidos e sinto que sou forte, mas aprendi muito com essas meninas de várias formas. Elas têm uma força que eu não possuo, por causa de onde cresceram, de onde vieram e do que foi preciso para chegarem até aqui.

Depois de ficar de fora da Austrália e Nova Zelândia 2023 por causa da lesão no ligamento cruzado anterior, o que significaria para você estar no Brasil?

Acho que significaria muito mais, justamente porque eu saberia de verdade o quanto trabalhei duro para voltar a esse ponto. Quando nos classificamos pela primeira vez [para 2023], foi uma sensação incrível e um dos melhores dias da minha vida. Mas, naquela época, na minha carreira no futebol, eu não estava realmente me exigindo. Eu estava meio que estagnada. Provavelmente estava indo ladeira abaixo, para ser sincera. Mas, ao romper o ligamento cruzado, tive que recomeçar completamente do zero e aprender a cuidar de verdade do meu corpo, a exigir de verdade do meu corpo, a fortalecer minha força mental. Sei o quanto trabalhei duro para isso agora, então me classificar seria tudo para mim.

O que a manteve em frente durante esse período?

Uma grande parte foi minha família. Rompi o ligamento na última semana da temporada do meu clube, então nenhum clube me contratou. Fiz toda a minha reabilitação em casa, com uma fisioterapeuta particular. Estávamos pagando do nosso próprio bolso por isso. Tive o apoio da minha família. Eles estiveram presentes por mim todos os dias. Quer dizer, eu tinha 24 anos e tive que voltar a morar em casa. Meus pais tinham se mudado para uma casa menor. Minha irmã tinha acabado de sair de casa para a faculdade e eu deveria estar longe, jogando futebol profissional. E, então, ali estava eu, de volta em casa, e eles foram simplesmente incríveis. Naquele período, aprendi a exigir do meu corpo de formas que eu não sabia serem possíveis. Muito disso veio de dentro de mim. Comecei a encarar cada dia como um desafio e tentava melhorar um por cento a cada dia.

Diante do sucesso das seleções feminina e masculina, esta é a era de ouro do futebol haitiano?

Não quero atrair azar! Acho que, se conseguirmos vencer o México e nos classificar, poderemos dizer que estamos entrando nessa era de ouro. Acho que, com alguém como Melchie Dumornay, é preciso colocar esse ouro sobre o nome dela. Não há como negar isso, mas não quero falar antes da hora. É difícil dizer que você está numa era quando está de fato vivendo ela... Mas, sim, espero que sim.

Publicado originalmente pela FIFA em 20/05/2026: Constant: Há uma paixão nesta seleção do Haiti →

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