A receita global do futebol feminino vai passar de US$ 1 bilhão em 2027, prevê a FIFPRO, o sindicato mundial de futebolistas, no relatório Condições de trabalho no futebol feminino, informou o Palco23. Em 2024, o negócio movimentou US$ 581 milhões. O mesmo estudo aponta que a precariedade ainda atinge a maioria das jogadoras.
O salto previsto é de 72% em três temporadas. A FIFPRO atribui a alta a dois motores: audiência e público nos estádios batendo recordes, e o perfil das jogadoras, que sustenta a viabilidade comercial da modalidade. Segundo o sindicato, alguns clubes já geram receitas compatíveis com uma indústria em crescimento exponencial.
Boa parte do dinheiro sai das ligas nacionais. A National Women's Soccer League (NWSL), dos Estados Unidos, gerou US$ 253 milhões em 2025, 18% a mais que no ano anterior. A Women's Super League, da Inglaterra, deve superar os US$ 100 milhões.
A lista dos vinte clubes que mais arrecadaram com o time feminino é liderada pelo Angel City, dos Estados Unidos, com US$ 38 milhões em 2025. O Barcelona aparece em quinto lugar, com US$ 24,9 milhões, alta de 28% sobre a temporada anterior. O Real Madrid, também entre os vinte, arrecadou quase US$ 14 milhões.
A FIFPRO espera que o intervalo entre 2027 e 2031 seja o mais rentável da história da modalidade, porque haverá grande torneio internacional em todos os anos, menos em 2030. A sequência começa com a Copa do Mundo Feminina 2027, no Brasil. Em 2028 vêm os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Em 2029, a Eurocopa será disputada na Alemanha, a Copa da Ásia no Uzbequistão e a Copa Ouro da Concacaf em sede ainda a definir. Em 2031, a Copa do Mundo passa a ter 48 seleções.
O dinheiro novo não chegou a todas. Só 62% das futebolistas ouvidas se consideram profissionais, e o salário médio mensal, no mundo, é de US$ 2.570.
A formação é alta: 90% concluíram o ensino obrigatório, e mais da metade tem curso universitário, para garantir uma alternativa ao futebol. Os principais motivos para abandonar a carreira são financeiros, o estresse psicológico e a dificuldade de conciliar o trabalho com a vida pessoal.
Nas entrevistas do relatório, as atletas contam que o crescimento trouxe pressões novas, como carga de trabalho maior e assédio nas redes sociais, e que os clubes não têm as medidas de proteção necessárias para enfrentá-las.
Alex Culvin, diretora de futebol feminino da FIFPRO, reconheceu que o esporte deu passos importantes, mas avaliou que ainda há muito a fazer e alertou que muitas jogadoras vivem grande incerteza na carreira. Para ela, quando as futebolistas têm condições de trabalho que protegem a saúde, o rendimento melhora, e com ele o futebol feminino.
Para a torcedora, a projeção da FIFPRO confirma que o futebol feminino virou negócio de bilhão, puxado por recordes de público e por um calendário cheio até 2031, a começar pela Copa no Brasil. Para clubes e federações, o relatório deixa a conta exposta: a receita cresce mais rápido que as condições de quem joga, e o próprio sindicato liga a proteção da saúde das atletas ao rendimento em campo.
Mais de US$ 1 bilhão em receitas globais, segundo a FIFPRO, contra US$ 581 milhões em 2024.
US$ 2.570 por mês, de acordo com o relatório, e só 62% das jogadoras se consideram profissionais.
O Angel City, dos Estados Unidos, com US$ 38 milhões em 2025. O Barcelona é o quinto, com US$ 24,9 milhões.