Redação GINGA36

FSports usa Copa 2027 para vender torneios femininos da CBF

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Estados Unidos, na SheBelieves Cup.
Foto: Divulgação/FIFA

A FSports, que detém com exclusividade os direitos comerciais e de mídia das competições nacionais femininas da CBF no ciclo de 2025 a 2029, apresentou na noite de 26 de agosto de 2026, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, dados de crescimento do futebol feminino brasileiro para atrair patrocínio de longo prazo antes da Copa do Mundo Feminina 2027, informou a Máquina do Esporte.

Os números foram mostrados no FF.Co, a Comunidade do Futebol Feminino Brasileiro, evento promovido pela agência que reuniu cerca de 45 marcas, entre patrocinadoras atuais e empresas ainda fora da modalidade.

O que está à venda?

A FSports comercializa, com o apoio da agência Heatmap, os ativos do Brasileirão Feminino, da Supercopa Feminina e da Copa do Brasil Feminina. Na época, as três competições tinham sete patrocinadores oficiais: Amazon, Coca-Cola, Hyundai, Itambé, Monange, Sicoob e Uber.

Segundo o projeto formatado pelas agências, ainda havia três cotas de patrocínio em aberto, outras três para ativações digitais e os naming rights dos torneios, ou seja, o direito de dar nome às competições.

O modelo vende as três competições juntas. Lucas Campos, CEO da FSports, explicou que o parceiro entra no Brasileiro, na Copa do Brasil e na Supercopa ao mesmo tempo, o que estende a presença da marca a 240 jogos numa agenda de fevereiro a novembro.

A gestão busca contratos de dois a cinco anos, para dar previsibilidade financeira aos clubes e à confederação. Renê Salviano, CEO da Heatmap, contou que a venda não foi fácil no começo e que o projeto já tinha um ano de reuniões.

Quais números a FSports levou às marcas?

Segundo o YouTube, as buscas por futebol feminino na plataforma subiram 200% em cinco anos no Brasil, contra 30% no mundo. No Google, a procura cresceu 120% no país no mesmo período, também contra 30% no restante do planeta.

No Google Trends, o Brasileirão Feminino aparece em terceiro lugar no crescimento de interesse entre os eventos da área nos últimos cinco anos, com alta de 300%. À frente dele ficaram apenas a Superliga Feminina da Inglaterra (WSL), com 650%, e a Champions League Feminina, com 350%.

A seleção feminina do Brasil chegou a 3,17 milhões de seguidores no Instagram, a maior marca entre as seleções femininas do mundo. Em julho de 2026, liderou em impressões, com cerca de 1 milhão de média mensal, quase o dobro da Inglaterra, e em alcance, com cerca de 780 mil, contra 420 mil da Alemanha. No engajamento, saiu do meio da tabela, com 15,5 mil em janeiro, para a liderança, com 28 mil.

Na comparação entre o primeiro semestre de 2026 e o do ano anterior, as impressões subiram 34%, o alcance 27% e o engajamento 68%.

Por que a pressa antes da Copa?

Monica Esperidião, diretora de estratégia da FSports, disse que a ideia era mostrar às marcas que o tempo até o Mundial está acabando, e que quem entra antes cria memória positiva no torcedor sem parecer oportunista. Ela lembrou que, até 2025, o Brasileiro Feminino só tinha contratos pontuais de no máximo um ano, como o da Neoenergia, e que a preocupação dela era manter as competições em outro patamar depois da Copa.

Sobre o preço das cotas, que já eram chamadas de caras quando a agência começou a negociar com a CBF, ela brincou: "Querido, está barato agora. Daqui a pouco o negócio vai estar mais caro".

A FSports também citou relatório da Deloitte que projeta US$ 3 bilhões movimentados pelo esporte feminino de elite em 2026, alta de 340% sobre 2022, e um estudo da Shikenso Analytics segundo o qual 86% dos patrocinadores do futebol feminino na Europa viram o retorno atingir ou superar as expectativas.

O que muda

Para a torcedora, o movimento indica que os torneios nacionais da CBF passaram a ser vendidos como pacote anual e plurianual, e não mais em contratos de uma temporada. Para os clubes, a promessa é previsibilidade de receita que alcance o período depois da Copa de 2027, quando o interesse gerado pelo Mundial em casa precisará se sustentar.

Para entender

Quem patrocinava as competições femininas da CBF em agosto de 2026?

Amazon, Coca-Cola, Hyundai, Itambé, Monange, Sicoob e Uber, os sete patrocinadores oficiais.

Quantos jogos o pacote de patrocínio cobre?

São 240 jogos de Brasileirão Feminino, Copa do Brasil Feminina e Supercopa Feminina, de fevereiro a novembro.

Até quando a FSports tem os direitos?

A agência detém os direitos comerciais e de mídia das competições nacionais femininas da CBF no ciclo de 2025 a 2029.

Redação GINGA36