Nayely Bolanos é o nome que está na boca da torcida da seleção feminina do Equador neste momento. A artilheira de 23 anos, que defende o mexicano Club Leon, é sem dúvida uma das grandes estrelas da La Tri.
Em 28 de novembro, Bolanos e companhia vão começar a campanha na fase preliminar do Torneio de Repescagem da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™ em Rabat, capital do Marrocos.
O Equador será uma das seis seleções que disputam duas vagas nos confrontos decisivos de fevereiro, quando serão definidas as três últimas vagas para a grande festa no Brasil. Bolanos, grande fã da lendária Marta, conversou com a FIFA antes do desafio que vem pela frente, com o sonho das sul-americanas de chegar ao torneio mundial ainda bem vivo.
Nayely Bolanos: Sabíamos que seria uma partida decisiva e que quem vencesse daria um grande passo rumo à classificação para a repescagem, independentemente do que acontecesse na última rodada. Sabíamos que uma vitória manteria o nosso destino em nossas mãos, embora no fim ainda precisássemos que outros resultados nos favorecessem. Entramos no jogo sabendo que ou o Chile ou nós nos classificaríamos. Fomos a campo e mostramos o quanto queríamos vencer, e isso fez com que saíssemos vitoriosas.
Depois veio a decepção da derrota em casa para a Argentina, antes de vocês receberem a ótima notícia de que a Colômbia tinha conquistado uma vitória dramática por 4 a 3 no Paraguai. Você já estava no banco naquele momento. Como foi aquilo?
Sabíamos que em um momento estávamos em terceiro e depois em quarto. Foi tensíssimo. Bem na hora em que a Colômbia marcou, nós sofremos um gol. Foi uma situação de nervos à flor da pele, porque não tínhamos ideia de como as coisas iam terminar. Estávamos tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe.
No fim, a sorte esteve do nosso lado, e temos a chance de continuar lutando por uma vaga na Copa do Mundo Feminina.
Sabemos que vai ser um torneio difícil, mas tivemos mais tempo para trabalhar com a nossa técnica, Eva [Espejo]. Vamos enfrentar adversárias difíceis, mas elas não são imbatíveis. Já mostramos que somos capazes de alcançar o nosso objetivo, e estamos nos preparando para ir a campo e competir, terminar em primeiro ou segundo e avançar para a próxima fase.
Com certeza. É algo com que temos sonhado. Desde que conquistamos a vaga na repescagem, temos nos imaginado no Brasil 2027. Queremos demais que esse sonho se realize, porque representar o nosso país na Copa do Mundo seria uma honra enorme. Estou muito animada com essa perspectiva.
Passar de assistir pela TV a realizar de fato esse sonho seria muito especial. Quando menina, eu me espelhava nas jogadoras que conseguiram isso, e agora faço parte da seleção, com a chance de seguir os passos delas. Seria fantástico. Tomara que a gente consiga. O sonho está vivo, e estamos trabalhando duro para que ele aconteça. Vamos torcer para conseguirmos.
Jogo desde muito pequena. Desde que me entendo por gente, adoro chutar uma bola, seja na rua com as amigas ou na escola. O futebol sempre foi uma paixão minha, e sempre acompanhei o esporte. O que aquele grupo de jogadoras conseguiu foi histórico, e agora as minhas companheiras e eu temos a chance de repetir esse feito.
Vão ser difíceis. São seleções muito fortes. Não acho que sejamos consideradas favoritas, mas isso nos dá ainda mais motivação para ir a campo e provar que as pessoas estão erradas. Saber que podemos enfrentar qualquer uma de igual para igual nos enche de ânimo. Sabemos que a margem de erro é muito pequena. Perdeu uma partida, de repente você passa a depender de outros resultados. Temos de fazer a nossa parte em campo. Na nossa partida de estreia [contra Gana], temos de garantir os três pontos e começar com força. Depois, vamos pensar jogo a jogo.
Tudo foi meio turbilhão em junho. Tivemos de mudar a mentalidade muito rápido. Tivemos só dois treinos antes de enfrentar o Chile. Todas entenderam a importância daquela partida, e todas ouvimos a técnica e fizemos o que nos foi pedido para conseguir o resultado que queríamos.
Agora tivemos um pouco mais de tempo para entender o estilo de jogo dela e o que ela espera de nós. Mantive contato com ela enquanto estive no México. Conversamos sobre como estou me sentindo, como ela acha que estou rendendo e várias outras coisas. Sinto que estamos no caminho certo.
Trabalho duro para competir neste nível desde muito pequena. Vestir a camisa da seleção foi um sonho realizado, e fico simplesmente feliz em ajudar, seja com gols, assistências ou de qualquer outra forma. Estou bem. Tenho me sentido muito melhor desde junho, e espero chegar à repescagem na melhor forma possível, tanto física quanto mentalmente, para poder contribuir o máximo possível. Quero dar tudo de mim.
Acho que a nossa campanha na Liga das Nações mostrou o quanto somos uma boa equipe. Sabíamos que havia algumas coisas que precisávamos trabalhar, e a chegada da Eva nos ajudou a resolvê-las. Mudamos a nossa abordagem de muitas maneiras. Somos uma equipe muito sólida e compacta. Aproveitamos ao máximo as transições para levar vantagem sobre as adversárias.
Publicado originalmente pela FIFA em 03/11/2026: Bolanos: o Equador já se imagina no Brasil 2027 →