O futebol feminino de 2024 a 2027. Sala 8 de 8 do museu Impróprias.
Em 17 de maio de 2024, no congresso da FIFA em Bangkok, o Brasil venceu por 119 votos a 78 a candidatura conjunta de Alemanha, Bélgica e Holanda e ficou com a Copa do Mundo Feminina de 2027, a primeira da América do Sul. As oito cidades-sede foram anunciadas em 7 de maio de 2025, todas com estádios da Copa masculina de 2014, com abertura e final no Maracanã. A marca foi lançada no Rio em 25 de janeiro de 2026, com o slogan Vai Ser Épico. O sorteio dos grupos está marcado para 11 de dezembro de 2026, no Museu de Arte Moderna do Rio. E há uma ironia histórica no calendário: a mesma federação que em 1983 recebeu uma norma proibindo o profissionalismo feminino agora exige que os clubes da primeira divisão tenham atletas profissionais a partir de 2027.
O plenário do 74º Congresso da FIFA, em Bangkok, no momento em que o telão anuncia o Brasil como sede da Copa do Mundo Feminina de 2027.
No 74º Congresso da FIFA, em Bangkok, o Brasil venceu por 119 votos a 78 a candidatura conjunta de Alemanha, Bélgica e Holanda e ficou com a Copa do Mundo Feminina de 2027. Será a décima edição do torneio e a primeira da América do Sul. Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, disse que a decisão teria grande impacto positivo no futebol feminino. Oitenta e três anos depois de o Estado brasileiro proibir a mulher de jogar bola, o país foi escolhido para sediar o Mundial delas.
A primeira Olimpíada com paridade entre homens e mulheres
2024 · Paris, França
Paris 2024 foi a primeira edição dos Jogos com paridade total de vagas: 5.250 atletas homens e 5.250 mulheres. A trajetória: 2,2% de mulheres em Paris 1900, 13% em Tóquio 1964, 23% em Los Angeles 1984, 44% em Londres 2012 e 50% em Paris 2024. Foram 124 anos. Na mesma edição, Rebeca Andrade ganhou o ouro no solo em 5 de agosto e se tornou a maior medalhista olímpica da história do Brasil, com seis medalhas.
A terceira prata olímpica, de novo contra os Estados Unidos
10 de agosto de 2024 · Parc des Princes, Paris
Gabi Portilho beija a medalha de prata conquistada em Paris 2024, depois da final contra os Estados Unidos.
Estados Unidos 1 x 0 Brasil, gol de Mallory Swanson no segundo tempo. O Brasil chegou à final eliminando a França nas quartas e a Espanha na semifinal. É a terceira prata olímpica do país, e as três finais perdidas foram para o mesmo adversário: Atenas 2004, Pequim 2008 e Paris 2024. Marta encerrou a trajetória olímpica com 13 gols, segunda maior artilheira da história do torneio, atrás apenas de Cristiane, com 14, e foi a única brasileira presente nas três campanhas de medalha.
44.529 pessoas, o recorde do futebol feminino de clubes na América do Sul até 2026
22 de setembro de 2024 · Neo Química Arena, São Paulo
O Corinthians ergue a taça sob o arco Campeãs, diante da arquibancada cheia da Neo Química Arena, em 22 de setembro de 2024.
Corinthians 2 x 0 São Paulo na final do Brasileirão Feminino, com gols de Jaque Ribeiro e Carol Nogueira, diante de 44.529 pagantes. Foi o maior público da história do futebol feminino de clubes na América do Sul até 2026, quando a final no MorumBIS levou 49.405 pessoas, e o hexacampeonato do Corinthians. Em 2025 o clube seria heptacampeão, batendo o Cruzeiro por 1 a 0 na partida final e 3 a 2 no placar agregado.
As oito cidades-sede, com abertura e final no Maracanã
7 de maio de 2025 · Brasil
A FIFA anunciou as oito cidades que receberão a Copa de 2027, todas com estádios da Copa masculina de 2014: Rio de Janeiro no Maracanã, São Paulo na Neo Química Arena, Belo Horizonte no Mineirão, Brasília no Mané Garrincha, Salvador na Fonte Nova, Fortaleza no Castelão, Recife na Arena de Pernambuco e Porto Alegre no Beira-Rio. O Maracanã recebe a abertura e a final. Doze cidades se candidataram e ficaram de fora Belém, Cuiabá, Manaus e Natal.
Ressalva: A distribuição dos jogos por cidade e as capacidades oficiais dos estádios saem depois do sorteio.
A disputa de pênaltis da final, vista da arquibancada do St. Jakob-Park, em 27 de julho de 2025.
Em 27 de julho de 2025, em Basileia, a Inglaterra de Sarina Wiegman manteve o título europeu contra a Espanha campeã do mundo, nos pênaltis. A Espanha dominou a posse e abriu o placar aos 25 minutos, cabeçada de Mariona Caldentey após cruzamento de Ona Batlle. Chloe Kelly, autora do gol do título de 2022 em Wembley, entrou antes do intervalo e cruzou para Alessia Russo empatar de cabeça aos 57. Prorrogação sem gols, e a decisão foi para as cobranças. A goleira Hannah Hampton defendeu as de Caldentey e de Aitana Bonmatí, Salma Paralluelo chutou para fora, e Kelly, com a corrida saltitante de sempre, fechou em 3 a 1. "Não erro pênalti duas vezes", disse. Foi a primeira final da Euro decidida nos pênaltis desde a primeira de todas, em 1984, quando a Inglaterra perdeu para a Suécia em Luton. E foi a primeira vez que uma seleção inglesa, masculina ou feminina, venceu um grande título fora do próprio país. Para a Espanha, vice na sua primeira final de Euro, ficou a lembrança de 2023, quando venceu a mesma Inglaterra na final da Copa.
Brasil 4 x 4 Colômbia, e o nono título na Copa América
2 de agosto de 2025 · Quito, Equador
As campeãs da Copa América de 2025 recebidas em Brasília, em setembro daquele ano. Foi o nono título continental do Brasil.
Empate em 3 a 3 no tempo normal, 4 a 4 na prorrogação e 5 a 4 nos pênaltis. Marta marcou dois, um no tempo normal e um na prorrogação, mas perdeu sua cobrança na disputa. A goleira Lorena foi a heroína. Marcaram também Angelina, de pênalti, e Amanda Gutierres. Pela Colômbia, Linda Caicedo, Mayra Ramírez e Leicy Santos. É o nono título brasileiro em dez edições do torneio, o quinto consecutivo, e o primeiro de Arthur Elias no comando. Marta foi eleita a melhor do torneio.
Em 1983 era proibido ser profissional. Em 2027 passa a ser obrigatório
24 de novembro de 2025 · Brasil
A sede da CBF, na Barra da Tijuca. Foi de lá que saiu a exigência de atletas profissionais na primeira divisão a partir de 2027.
Ao divulgar o calendário de 2026, a CBF confirmou a mudança estrutural: os clubes da primeira divisão terão de ter atletas profissionais a partir de 2027. O Brasileirão A1 de 2026 começa em 15 de fevereiro, com 18 clubes, e premiação de 2 milhões de reais ao campeão, 1 milhão ao vice e 720 mil de cota de participação por clube. A CBF também passou a custear despesas de viagem de mães lactantes acompanhadas de seus bebês. Vale ler isso ao lado do artigo 3º da Deliberação 01/83, que vedava expressamente o profissionalismo feminino.
A FIFA lança a marca da Copa de 2027: Vai Ser Épico
25 de janeiro de 2026 · Copacabana, Rio de Janeiro
Marca oficial da Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027, apresentada em janeiro de 2026. Arte de divulgação do torneio.
Em evento em Copacabana, a FIFA apresentou a identidade visual completa do torneio. O emblema combina as letras W e M, de women e world, mulheres e mundo, com inspiração na bandeira brasileira e na geometria do campo. O slogan oficial é Vai Ser Épico. A identidade sonora incorpora ritmos brasileiros, percussão de samba e herança afro-brasileira. Estiveram no evento Formiga, Cristiane, Ronaldo, Cafu, os técnicos Arthur Elias e Carlo Ancelotti, o presidente da CBF Samir Xaud e Gianni Infantino.
Brasil e Estados Unidos em dois estádios da Copa, como ensaio geral
6 e 9 de junho de 2026 · São Paulo e Fortaleza
Brasil x Estados Unidos na Arena Castelão, em Fortaleza, no amistoso de 9 de junho de 2026.
Dois amistosos contra os Estados Unidos, em 6 de junho na Neo Química Arena e em 9 de junho na Arena Castelão, ambos estádios-sede de 2027, servindo de teste para times e infraestrutura. Arthur Elias disse que seriam jogos muito importantes para o crescimento da equipe, e que historicamente os Estados Unidos têm o melhor retrospecto contra o Brasil. A técnica americana é Emma Hayes. Em seis jogos anteriores no Brasil, o retrospecto é equilibrado: duas vitórias para cada lado e dois empates.
49.405 pessoas no MorumBIS, o novo recorde do Brasileirão Feminino
3 de outubro de 2026 · MorumBIS, São Paulo
A torcida do São Paulo agita bastões azuis na arquibancada do MorumBIS, na final do Brasileirão Feminino de 3 de outubro de 2026.
São Paulo 1 x 1 Corinthians na final do Brasileirão Feminino A1, diante de 49.405 pessoas. O público superou os 44.529 da final de 2024, entre os mesmos dois clubes, na Neo Química Arena. Com a vitória por 2 a 1 na ida, o São Paulo ficou com o título inédito, 3 a 2 no agregado. Foi também a temporada de maior audiência em três anos: 52 milhões de pessoas viram o campeonato na TV Globo, 23 milhões só a final.
11 de dezembro de 2026 · Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro
O Museu de Arte Moderna do Rio, onde o sorteio dos grupos está marcado para 11 de dezembro de 2026.
O sorteio dos grupos da Copa de 2027 acontece no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com mais de mil convidados, incluindo as delegações classificadas e as da repescagem. Serão 32 seleções em oito grupos de quatro, com as duas primeiras de cada grupo indo às oitavas, num total de 64 jogos. A distribuição de vagas aprovada em dezembro de 2024 dá 11 à UEFA, 6 à AFC, 4 à CAF, 4 à CONCACAF, 2 à CONMEBOL mais o Brasil como país-sede e 1 à OFC, com mais 3 pela repescagem intercontinental.
Ressalva: Potes, critérios de distribuição e horário ainda não foram divulgados pela FIFA.
A taça da Copa do Mundo Feminina no Rio de Janeiro, diante do Cristo Redentor, um ano antes da abertura no Maracanã.
A Copa do Mundo Feminina de 2027 vai de 24 de junho a 25 de julho, com 32 seleções e 64 jogos em oito cidades. A estreia do Brasil é no dia 24 de junho, no Maracanã, e a final em 25 de julho, no mesmo estádio. Duzentos e trinta e dois anos depois das peixeiras de Fisherrow, 106 anos depois de a Football Association declarar o jogo inadequado para mulheres, e 86 anos depois de o Estado brasileiro proibir por decreto que uma mulher jogasse bola neste país.
Ressalva: Os adversários do Brasil dependem da conclusão das eliminatórias e do sorteio de 11 de dezembro de 2026.
Uma reparação para as pioneiras, com um recorte definido
1º de junho de 2026 · Brasil
Pelézinha, Caju e Russa, pioneiras da Seleção de 1988 e 1991, contempladas pela lei de reparação de 2026.
Em 1º de junho de 2026, foi sancionada a Lei nº 15.421, publicada no dia seguinte. Ela autorizou um prêmio único de R$ 500 mil por atleta das seleções que disputaram o torneio experimental da FIFA de 1988 e a primeira Copa do Mundo Feminina, em 1991. O pagamento cabe ao Ministério do Esporte e depende da disponibilidade orçamentária e financeira. A lei também permite que sucessores legais de atletas falecidas se habilitem ao recebimento. Pelézinha, Caju e Russa celebraram o reconhecimento em entrevista à TV Brasil. O recorte de competições define quem a legislação contempla; não determina quando a Seleção começou nem resume toda a trajetória das mulheres que abriram caminho no futebol brasileiro.
Ressalva: Apuração atualizada em 30 de setembro de 2026. A autorização legal não comprova o pagamento: em entrevista publicada em setembro, o ministro do Esporte informou previsão de desembolso para novembro. Não localizamos comprovação oficial de pagamento já realizado. Ter participado de 1986 não exclui automaticamente uma atleta que também integrou as equipes contempladas. As fontes consultadas não sustentam a alegação de exclusão coletiva daquela geração.