A Copa existe

O futebol feminino de 1991 a 2007. Sala 6 de 8 do museu Impróprias.

A primeira Copa do Mundo Feminina da FIFA aconteceu na China em novembro de 1991, 61 anos depois da masculina, com jogos de 80 minutos porque a entidade achava que as atletas não aguentariam 90, e sem usar a marca World Cup no nome oficial. Oito anos depois, em 10 de julho de 1999, a final entre Estados Unidos e China no Rose Bowl de Pasadena reuniu 90.185 pessoas, na época recorde mundial de público para um evento esportivo feminino de qualquer modalidade. O Brasil chegou ao pódio três vezes nesse intervalo e viveu sua melhor campanha em 2007, quando goleou os Estados Unidos por 4 a 0 na semifinal e perdeu a final para a Alemanha. Ao voltar, as jogadoras abriram uma faixa pedindo apoio. A CBF criou o primeiro campeonato nacional feminino naquele mesmo ano.

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Elane marca o primeiro gol do Brasil em Copas

1991 · China

O lance do primeiro gol do Brasil em Copas: a bola na área do Japão depois do escanteio, e Elane empurra para a rede. Foshan, 17 de novembro de 1991, em imagem de TV divulgada pela FIFA em 2023.
O lance do primeiro gol do Brasil em Copas: a bola na área do Japão depois do escanteio, e Elane empurra para a rede. Foshan, 17 de novembro de 1991, em imagem de TV divulgada pela FIFA em 2023.

O Brasil caiu na fase de grupos: venceu o Japão por 1 a 0, perdeu para os Estados Unidos por 5 a 0 e para a Suécia por 2 a 0. Na vitória sobre o Japão, a zagueira Elane marcou o primeiro gol brasileiro na história das Copas femininas. Após uma cobrança de escanteio de Fia Carioca, a bola sobrou na área e Elane finalizou para o gol. No mesmo ano o Brasil sediou e venceu a primeira Copa América Feminina, batendo o Chile na final, começando uma hegemonia continental que chegaria a nove títulos em dez edições.

Fontes: Dibradoras · DFB, Japão 0 a 1 Brasil, Mundial de 1991 · Fonte da imagem · Divulgação / CBF · FIFA · fonte indicada na Checagem 02 · ge · primeiro gol da Seleção Brasileira Feminina em Copas

A primeira Copa do Mundo Feminina, com 80 minutos e taça de chocolate

30 de novembro de 1991 · Estádio Tianhe, Guangzhou, China

O estádio Tianhe, em Guangzhou, na China
O estádio Tianhe, em Guangzhou, uma das sedes do primeiro Mundial feminino da FIFA, em 1991. A fotografia é posterior ao torneio.

Doze seleções, três grupos de quatro, e os Estados Unidos campeões sobre a Noruega por 2 a 1 diante de 63 mil pessoas. Michelle Akers foi artilheira com 10 gols, recorde absoluto de uma única edição até hoje, e Carin Jennings foi eleita a melhor jogadora. Dois detalhes dizem tudo sobre como a FIFA tratava o torneio: todos os jogos tiveram 80 minutos, não 90, porque a entidade alegava que as atletas não aguentariam a carga, e o nome oficial nem usava a marca World Cup, era Campeonato Mundial de Futebol Feminino pela Taça M&M's. Veio 61 anos depois da primeira Copa masculina.

Fontes: Wikipedia, 1991 FIFA Women's World Cup

A história do Dick, Kerr quase se perdeu

1992 · Preston, Inglaterra

Gail Newsham com o livro In a League of Their Own!, dedicado à história das Dick, Kerr Ladies. Retrato divulgado em seu perfil no Creative Community Group; data não informada.
Gail Newsham com o livro In a League of Their Own!, dedicado à história das Dick, Kerr Ladies. Retrato divulgado em seu perfil no Creative Community Group; data não informada.

Gail Newsham cresceu à sombra de uma fábrica em Preston sem saber que ali tinha nascido o time mais influente da história do futebol de mulheres. As jogadoras nunca se gabaram do que haviam feito, e por isso a história estava prestes a desaparecer com elas. Newsham jogou duas semifinais de Copa da Inglaterra pelo Preston Rangers nos anos 1970 e 1980, quando o vestiário era um antigo galinheiro e o banheiro, um tambor de óleo. Em 1986 criou o Lancashire Trophy, torneio internacional que trouxe times da Suécia, Suíça, Áustria, Alemanha, Irlanda e Escócia. E em 1992, encarregada de organizar o primeiro reencontro do Dick, Kerr Ladies em mais de quarenta anos, viu uma fotografia do time jogando em Kirkham nos anos 1950 e não acreditou na quantidade de gente na beira do campo. Ela mesma resumiu o que sentiu: quando eu jogava, não aparecia ninguém. Foi ali que decidiu que alguém tinha de fazer alguma coisa antes que a história se perdesse, e passou os anos seguintes reunindo o arquivo que hoje sustenta quase tudo o que se sabe sobre aquele time.

Fontes: Lancashire Evening Post, Gail Newsham sobre o Dick, Kerr Ladies · Fonte da imagem · Reprodução / perfil de Gail Newsham no Creative Community Group

O Brasil é campeão mundial de basquete feminino

12 de junho de 1994 · Austrália

Janeth Arcain no pódio
Janeth Arcain em registro de arquivo no pódio. Integrante da seleção campeã em 1994; a fotografia não é da final daquele Mundial.

O Brasil venceu a China por 96 a 87 e conquistou o Mundial de basquete feminino, com Hortência, Paula e Janeth em quadra. Na semifinal, o time havia derrubado os Estados Unidos por 110 a 107. O Brasil se tornou a terceira nação da história a ganhar o Mundial feminino, ao lado dos Estados Unidos e da União Soviética. Enquanto isso, o futebol feminino brasileiro ainda não tinha campeonato nacional.

Fontes: Liga Nacional de Basquete

A Noruega campeã, e o menor público da história do torneio

18 de junho de 1995 · Estádio Råsunda, Solna, Suécia

Hege Riise, capitã da Noruega campeã em 1995
Hege Riise, campeã mundial pela Noruega em 1995, em retrato posterior à conquista.

A Noruega venceu a Alemanha por 2 a 0 diante de 17.158 pagantes. O público total da edição, 112.213 pessoas, é o menor de todas as Copas femininas, com média de apenas 4.316 por jogo. Ann Kristin Aarønes foi artilheira com 6 gols e Hege Riise levou a Bola de Ouro. Voltou-se aos 90 minutos de jogo. Foi também a Copa em que Formiga, aos 17 anos, disputou a primeira das suas sete, um recorde que nenhum jogador ou jogadora do mundo alcançou.

Fontes: Wikipedia, 1995 FIFA Women's World Cup

O futebol feminino vira olímpico, com 76.481 pessoas na final

1996 · Sanford Stadium, Athens, Estados Unidos

Medalha dos Jogos de Atlanta, 1996

Oito seleções disputaram o primeiro torneio olímpico feminino de futebol. Os Estados Unidos venceram a China por 2 a 1 na final, diante de 76.481 pessoas, na época o maior público da história de um jogo de futebol feminino no país. O Brasil, que entrou herdando a vaga da Inglaterra, ficou em quarto: empatou com a Noruega na estreia com gol de Pretinha no último minuto, perdeu a semifinal para a China e o bronze para as norueguesas. Pretinha dividiu a artilharia do torneio com as norueguesas Ann Kristin Aarønes e Linda Medalen, todas com 4 gols.

Fontes: Wikipedia, Football at the 1996 Summer Olympics

Sissi, artilheira do mundo, e o gol de falta contra a Nigéria

1999 · Estados Unidos

A jogadora Sissi com a camisa da seleção brasileira
Sissi na seleção brasileira em Sydney, no ano seguinte ao Mundial em que dividiu a artilharia com a chinesa Sun Wen.

Foi a melhor campanha brasileira em Copas até então: 7 a 1 no México, 2 a 0 na Itália, 3 a 3 com a Alemanha e primeiro lugar do grupo. Nas quartas, contra a Nigéria, o jogo terminou 3 a 3 no tempo normal e Sissi decidiu com um gol de falta na prorrogação, considerado um dos mais bonitos da história da modalidade. O Brasil perdeu a semifinal para os Estados Unidos e venceu a Noruega nos pênaltis pelo bronze. Sissi dividiu a artilharia do torneio com Sun Wen, com 7 gols, e levou a Bola de Prata.

Fontes: Fut das Minas

90.185 pessoas no Rose Bowl, e a camisa de Brandi Chastain

10 de julho de 1999 · Rose Bowl, Pasadena, Estados Unidos

Ingresso da final da Copa do Mundo de 1999

Estados Unidos e China empataram sem gols e os americanos venceram por 5 a 4 nos pênaltis. Brandi Chastain converteu a quinta cobrança sobre a goleira Gao Hong e comemorou tirando a camisa, virando capa de revista no mundo inteiro. Meses antes, ela havia perdido um pênalti contra a mesma China na Algarve Cup. Foi o maior público reconhecido pela FIFA em futebol feminino e, à época, recorde mundial para um evento esportivo feminino de qualquer modalidade. A transmissão americana teve média de 17,9 milhões de espectadores e pico de 40 milhões.

Fontes: Wikipedia, 1999 FIFA Women's World Cup

Bend It Like Beckham leva o futebol feminino ao cinema de massa

12 de abril de 2002 · Reino Unido

Parminder Nagra

Dirigido por Gurinder Chadha, o filme sobre uma adolescente indiana em Londres que quer jogar futebol contra a vontade da família estreou no Reino Unido e arrecadou 92,2 milhões de dólares no mundo, virando na época o filme de futebol mais rentável nos Estados Unidos. A produção teve colaboração da federação inglesa. Para muita gente da geração que hoje joga, foi a primeira imagem de futebol feminino que viu numa tela grande.

Fontes: Wikipedia, Bend It Like Beckham

A SARS tira a Copa da China, e Nia Künzer marca o último gol de ouro

12 de outubro de 2003 · Home Depot Center, Carson, Estados Unidos

Nia Künzer, autora do último gol de ouro
Nia Künzer, autora do gol do título mundial alemão em 2003, em retrato posterior à conquista.

Originalmente marcada para a China, a Copa foi transferida para os Estados Unidos por causa do surto de SARS. Na final, a Alemanha venceu a Suécia por 2 a 1: Hanna Ljungberg abriu aos 41, Maren Meinert empatou aos 46 e a zagueira reserva Nia Künzer marcou de cabeça aos 98 minutos, o último gol de ouro da história do futebol internacional. Birgit Prinz levou Chuteira e Bola de Ouro com 7 gols, e a Alemanha virou o primeiro país a vencer as Copas masculina e feminina. Foi também a primeira Copa de Marta.

Fontes: Wikipedia, 2003 FIFA Women's World Cup final

A primeira prata olímpica do Brasil

2004 · Atenas, Grécia

As jogadoras com a prata de Atenas, 2004

Na final contra os Estados Unidos, empate em 1 a 1 nos 90 minutos e gol de Abby Wambach no segundo tempo da prorrogação: 2 a 1 para as americanas. Foi a primeira medalha olímpica do futebol feminino brasileiro, e a primeira de três pratas, todas contra o mesmo adversário.

Fontes: Soccerway

Marta é eleita a melhor do mundo cinco vezes seguidas

2006 a 2010 · Mundo

Marta com o troféu de Melhor Jogadora do Mundo da FIFA de 2009, em Zurique, em 21 de dezembro de 2009.
Marta com o troféu de Melhor Jogadora do Mundo da FIFA de 2009, em Zurique, em 21 de dezembro de 2009.

Cinco prêmios FIFA consecutivos, em 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010. É recorde absoluto, não igualado por nenhum jogador ou jogadora da história: nem Messi, nem Cristiano Ronaldo, nem Pelé têm cinco seguidos. Ela venceria de novo em 2018, chegando a seis. Nascida em Dois Riachos, Alagoas, em 19 de fevereiro de 1986, Marta acumularia 118 gols pela seleção brasileira, superando os 95 de Pelé desde 2015.

Fontes: Wikipedia, Marta

A Lei Maria da Penha

7 de agosto de 2006 · Brasil

Maria da Penha

A Lei nº 11.340 criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher: medidas protetivas de urgência, juizados especializados e fim das penas alternativas do tipo cesta básica. Leva o nome de Maria da Penha Maia Fernandes, cujo caso levou o Brasil a ser condenado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos por omissão.

Fontes: Conselho Nacional de Justiça

A faixa que criou o campeonato nacional

2007 · Brasil

As jogadoras da seleção com as medalhas de prata e a faixa "Brasil, precisamos de apoio!", em Xangai, em 30 de setembro de 2007.
As jogadoras da seleção com as medalhas de prata e a faixa "Brasil, precisamos de apoio!", em Xangai, em 30 de setembro de 2007.

Depois do vice-campeonato mundial, as jogadoras da seleção protestaram abrindo uma faixa com a frase "Brasil, precisamos de apoio". A pressão levou a CBF a criar naquele mesmo ano o primeiro campeonato nacional feminino. Vale registrar a sequência: elas fizeram a melhor campanha da história do país em Copas e, para conseguir um campeonato, precisaram protestar.

Brasil, precisamos de apoio.Faixa das jogadoras da seleção brasileira, 2007

Fontes: Fut das Minas

Brasil 4 x 0 Estados Unidos, a maior campanha da história

27 de setembro de 2007 · Hangzhou, China

Marta comemora na vitória do Brasil por 4 a 0 sobre os Estados Unidos, na semifinal da Copa do Mundo Feminina de 2007, na China.
Marta comemora na vitória do Brasil por 4 a 0 sobre os Estados Unidos, na semifinal da Copa do Mundo Feminina de 2007, na China.

Na semifinal da Copa da China, o Brasil aplicou nos Estados Unidos a maior derrota da história da seleção americana feminina até então. No caminho até ali: 5 a 0 na Nova Zelândia, 4 a 0 na China, 1 a 0 na Dinamarca e 3 a 2 na Austrália. Marta marcou naquele torneio o gol que a FIFA elegeu o segundo mais bonito de todos os tempos, e terminou com a Bola e a Chuteira de Ouro, 7 gols e 5 assistências. Na final, em Xangai, a Alemanha venceu por 2 a 0, com Nadine Angerer defendendo um pênalti de Marta e sem sofrer um único gol no torneio inteiro.

Fontes: Fut das Minas · FIFA · Fonte da imagem · Divulgação / FIFA

Campanha dos sonhos no Pan do Rio

2007 · Rio de Janeiro, Brasil

Jogadoras da Seleção Brasileira comemoram o ouro no Pan do Rio, no Maracanã, em 26 de julho de 2007.
Jogadoras da Seleção Brasileira comemoram o ouro no Pan do Rio, no Maracanã, em 26 de julho de 2007.

A Seleção Brasileira chegou aos Jogos Pan Americanos Rio 2007 como favorita absoluta à medalha de ouro no futebol feminino e não decepcionou: venceu o Uruguai por 4 a 0, a Jamaica por 5 a 0, o Equador por 10 a 0 e o Canadá por 7 a 0 na primeira fase, o México por 2 a 0 na semifinal e aplicou 5 a 0 sobre os Estados Unidos na decisão diante de quase 80 mil pessoas no Maracanã. Foram 33 gols marcados, 12 deles pela artilheira Marta, e nenhum sofrido. O desempenho avassalador abriu caminho para o vice-campeonato mundial meses depois, com direito a mais uma goleada sobre os EUA na semifinal.

Fontes: ESPN, O ouro no Pan de 2007 · Fonte da imagem · Wilson Dias / Agência Brasil